Histórias infantis

Nuno: As aventuras do pequeno astronauta

Episódio 9: A volta para casa

Nuno estava com saudades dos seus pais. Quanto tempo havia passado desde que ele iniciara esta viagem: 3, 4, 5 anos? Ele já não fazia a menor ideia. Tivera tantas aventuras e conhecera tantos amigos que se esquecera de marcar o tempo. Que histórias bonitas ele viveu nesta viagem! E que amigos maravilhosos ele encontrou pelo caminho: Drope, Pedro, Rosinha, Bruk, Argo, Xenny, Raddy e outros, de aventuras que ele nem teve tempo de narrar. Mas ele nunca deixou de pensar em seus pais e, agora, está mais do que nunca ansioso para encontrá-los e relembrar, com eles, as histórias vividas e contar aquelas que ele ainda não contou.

Foi nesse clima de ansiedade que ele fez as malas e, junto com Pingo, iniciou a viagem de volta. Ele não sabia se estava triste ou alegre, mas, com certeza, estava ansioso para voltar para casa. Lembrou e relembrou todas as histórias por que passara e os amigos que conhecera. Pensou e repensou em seus pais e na sua casa que ele havia deixado para trás há tanto tempo. Com tantos pensamentos na cabeça, a viagem de volta passou rápido.

Nuno via pela escotilha da nave a Terra ficando cada vez maior. A visão daquele globo azulado, com manchas verdes e marrons, que era o seu planeta, aumentava a vontade de encontrar logo os seus pais. Agora, um clarão na frente da nave indicava que ela estava abrindo caminho na atmosfera em direção à superfície do planeta. O clarão era decorrente do atrito da nave, em alta velocidade, com o ar, o que fazia o escudo em frente da nave se aquecer e ficar incandescente. Graças ao isolamento térmico da nave, seu interior não se aquecia e Nuno e Pingo não sentiam o calor do escudo em brasa. Nessa hora, como em tantas outras vezes que eles aterrissaram em um planeta, Nuno pensou na habilidade de seus pais, engenheiros, em construir essa nave tão segura para que eles pudessem fazer essa longa viagem espacial.

Nuno, com a sua habilidade de astronauta, foi posicionando a nave na trajetória correta até avistar de cima a sua cidade. Não foi preciso muito tempo até ele aterrissar suavemente no espaço aberto ao lado da sua casa, de onde saíra muito tempo atrás. Seus pais e amigos já estavam à espera do menino e seu cãozinho, pois Nuno havia mandado mensagens dizendo quando chegariam à Terra.

O encontro do menino astronauta com seus pais e amigos foi a maior festa. Eles se abraçaram, choraram de alegria e todos queriam falar ao mesmo tempo. Pingo era carregado no colo pelos meninos e jogado ao ar várias vezes como herói. Nuno, abraçado à sua mãe, parecia mais feliz do que nunca. A festa demorou muitas horas com sanduiches, doces, sucos, balões, fantasias e chapéus. Ao final, um grande bolo com a miniatura de uma nave espacial sobre ele foi devorado por Nuno e seus amigos em poucos minutos. A conversa entre eles foi muito complicada porque cada um queria contar as suas histórias: Nuno, sobre suas aventuras no espaço, e seus amigos, sobre o que acontecera na Terra durante todo esse tempo em que Nuno estivera fora.

Até que finalmente a festa acabou. Depois que os amigos se despediram, Nuno e Pingo estavam mortos de cansaço. Embora Nuno quisesse ficar ali conversando com os seus pais, contando mais detalhes sobre as suas aventuras e, principalmente, ouvindo a voz de sua mãe – coisa do que ele mais sentira falta na viagem – ele não aguentou e acabou dormindo sentado à mesa com a cabeça apoiada sobre os braços. Seu pai, então, levou-o para a cama.

No dia seguinte Nuno acordou feliz e foi, de pijamas, até a cozinha, onde seus pais o esperavam para o café da manhã. Sua mãe havia terminado de fritar as panquecas de que Nuno tanto gostava e disse:

– Bom dia! Parece que você dormiu bem porque está com uma cara tão feliz!

– Bom dia! – respondeu Nuno e continuou: – Oba, panquecas! Eu estava com tantas saudades delas!

– Mas você comeu panquecas ontem! – disse sua mãe.

– Como, se eu cheguei ontem da viagem?

– Que viagem?

Nuno olhou espantado para a sua mãe. “Por que ela está falando assim como se nada tivesse acontecido ontem?”, ele pensou. Ele levantou-se rapidamente da cadeira e foi para o quintal com um pressentimento muito ruim em sua cabeça. Ele ficou chocado com o que viu: no meio do quintal estava uma nave espacial feita de madeira e cordas, apoiada sobre uma estrutura de ferro que lhe dava sustentação e, ao lado, uma escadinha que dava acesso ao interior da nave. Enfim, um brinquedo muito comum para crianças.

Foi, então, que ele compreendeu tudo. Voltou correndo para a cozinha e disse para a sua mãe:

– Mamãe, foi tudo um sonho?

– Que sonho, meu filho?

Se foi mesmo um sonho, é claro que ela não sabia de nada, pois ele havia acabado de acordar.

Muito triste, Nuno nem sabia o que falar. Então, todas as bonitas histórias que ele pensava ter vivido não passavam de sonhos? E os amigos que conhecera? Estavam só em sua imaginação? Não, não é possível. Ele procurava se convencer de que o sonho era o que estava acontecendo ali naquela manhã e não a sua aventura espacial. Sua mãe interrompeu os seus pensamentos:

– Que sonho? Conte para nós o que você sonhou. Por que está tão triste agora?

Nuno fez um esforço grande para continuar a conversa. Ele não podia acreditar que tivesse sonhado tudo aquilo por que passou. Mas ele tinha uma cabeça muito boa – como sempre dizia a sua mãe – e reuniu forças para contar o seu sonho para os pais.

Ele contava as histórias não como alguém que contava um sonho, mas como alguém que as tinha vivido de fato. Uma a uma elas foram sendo narradas para os pais que as ouviam atentamente, esquecendo-se até de tomar o café da manhã. E assim ouviram, por quase toda a manhã, as histórias do menino astronauta. Pingo estava ao seu lado, parecendo uma testemunha do que estava sendo contado. Ao final, a mãe de Nuno, com a voz embargada, disse:

– Que lindo sonho, meu filho! Uma pessoa que tem sonhos tão bonitos e nítidos só pode ser uma pessoa especial. Você é uma pessoa especial e nós te amamos muito.

– Mas eu queria que esse sonho tivesse sido realidade. Estou muito triste em saber que Drope, Rosinha e os outros amigos não existem de verdade.

– Mas eles estão na sua imaginação como se fossem reais. – disse a mãe de Nuno e continuou: – Lembre-se deles como se fossem reais. Curta os seus amigos reais, aqui da Terra, de quem você tanto gosta. Conte para eles as suas histórias e tenho certeza que eles vão adorar.

– Sim, eu gosto muito dos meus amigos, mas não consigo tirar os meus amigos espaciais da cabeça.

– Sabe, – disse a mãe de Nuno – em sua viagem pelo espaço você queria conhecer os lugares onde são criadas as histórias, não é? Pois então, você aprendeu com esse sonho que o lugar onde são criadas as melhores histórias é a nossa cabeça. Você não precisou viajar pelo espaço para criá-las. Estamos muito orgulhosos de você.

Nuno levantou-se da cadeira e foi até a janela. Ele olhava fixamente a nave espacial de brinquedo que seu pai havia construído. Pensava como a sua nave verdadeira – a do sonho – era diferente desta que estava no quintal. Ele virou-se para os seus pais e disse:

– Vocês podem transformar essa nave que está no quintal em uma nave que pode voar de verdade, não podem?

Os pais de Nuno, conhecendo o filho como ninguém mais, sentiram um frio na barriga ao ouvir aquela pergunta do filho, que mais parecia uma ordem. E pensaram, imediatamente, na capacidade do filho de convencer as pessoas. Sabiam que não tinham outra alternativa senão se preparar para uma longa viagem de Nuno e Pingo pelo espaço sideral.

FIM

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13 comentários sobre “Histórias infantis

  1. Interessante Dias, que quando comecei a ler de imediato veio à ideia de enviá-la ao neto. É como alguém disse antes é um estímulo à imaginação da criança, ou mesmo do adolescente. Encaminharei aos meus amigos que também tenham neto. Estamos esperando as próximas aventuras de Nuno…

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