O programador de mentes

Um PC, laptop ou smartphone novo já vem equipado com um sistema operacional e alguns aplicativos básicos que permitem que ele funcione adequadamente. Com o tempo, você vai incorporando a ele novos recursos e aplicativos para fazê-lo mais eficiente e útil e ele acaba ficando bem diferente do que era no início. Alguns desses acréscimos você mesmo decidiu incorporar, outros foram incorporados por sugestão de amigos, outros ainda, você baixou para ficar antenado na moda e outros decorreram de atualizações do fornecedor para tornar o aparelho mais robusto diante das demandas modernas. Entretanto, por mais que essas alterações tenham sido originadas por motivos alheios à sua vontade, é quase certo que o seu gadget manterá uma configuração muito peculiar que, comumente, chamamos de “a cara do dono”.

Com você, pessoa, acontece algo muito parecido. Você nasce com uma configuração básica e vai acrescentando recursos ao seu organismo até se tornar a pessoa inconfundível que é. Os seus aplicativos são “baixados” por sua própria vontade ou por influência de outras pessoas e do ambiente em que vive. São aplicativos bem conhecidos, como família, amigos, política, religião, escolaridade e outros, que acabam definindo o seu caráter (ou funcionalidade).

Essa comparação não pode ir muito mais longe porque máquinas (pelo menos as máquinas atuais) são muito diferentes de seres humanos por razões que todos entendem, mesmo que não consigam explicar exatamente. Todavia, um aspecto dessa comparação pode ser enfatizado pela sua importância na formação de uma sociedade bem-sucedida. Esse aspecto refere-se ao fato de que estamos sendo permanentemente “programados” ou “atualizados”, seja por nós mesmos ou, o que é mais sério, por influência de outros. Essa influência é muito forte da parte dos pais e pessoas que estiveram próximas durante a fase de nossa formação, mas também é considerável durante a nossa fase madura, por meio de outras pessoas, culturas e modismos. O ponto que quero destacar é o seguinte: se somos influenciados por pessoas na formação de nosso caráter, nós também influenciamos outras pessoas na formação do seu caráter. Somos ao mesmo tempo programados e programadores nessa rede de gadgets chamada de sociedade.

Pense nisso quando estiver baixando um novo aplicativo para o seu smartphone. Pense que somos parecidos com ele, muito susceptíveis a aceitar qualquer aplicativo que nos ofereçam. Lembre-se que alguém próximo de você pode estar mirando no seu exemplo e, como um smartphone, atualizando os seus próprios valores. Por isso, seja um programador de mentes responsável.

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2 comentários sobre “O programador de mentes

  1. Hum, ótimo! Algo muito sério dito de maneira leve. Você já escreveu algo sobre o livre-arbítrio?
    Tenho pesquisado sobre o assunto e gostaria de conhecer sua opinião a respeito. Nada sério!
    Obrigada Caco, por enviar-me os textos.
    Sandra

    • Sandra,
      Em primeiro lugar, obrigado pelos seus comentários no meu blog. Eles enriquecem as discussões dos temas abordados. Quanto ao livre-arbítrio, escrevi vários textos sobre ele que você pode acessar com uma busca rápida. Um deles pode ser lido aqui e dá bem a ideia de como esse tema é polêmico.
      Abs.
      Caco

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