São tantas emoções!

Quando eu estou aqui

Eu vivo este momento lindo

Olhando prá você

E as mesmas emoções

Sentindo …

(em “Emoções”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Fico a imaginar se os versos acima poderiam se aplicar a um alienígena que caísse na Terra e se visse inesperadamente diante de um ser humano. Imagine a cena e procure captar o que se passaria na cabeça dele, o alienígena, embasbacado com o que estaria vendo. Tome o seu lugar e imagine-se na frente de uma espécie de ser que você nunca vira antes. Você logo iria notar a maneira improvável do humano de andar sobre duas patas, suas mãos estranhas, sua cabeça arredondada, com duas orelhas que parecem não combinar com o resto, a protuberância exagerada do nariz e outras estranhezas que não poderiam passar desapercebidas por você, com um corpo tão diferente.

Mas você não se deteria nesses detalhes. Você, provavelmente, ficaria mais curioso em notar que alguma coisa naquele ser parecia familiar para você. Seria o seu olhar ou seriam os seus gestos e feições faciais ou as diferentes tonalidades com que ele emitia sons? Você não saberia ao certo, mas teria a sensação de que aqueles sinais indicavam que aquele ser à sua frente tinha algumas atividades internas que se assemelhavam às suas próprias. Seriam emoções? Se fossem emoções, elas seriam iguais às suas?

Com a descrição dessa cena hipotética eu quero expressar a minha própria incredulidade sobre a natureza dos sentimentos e emoções de que são dotados os seres humanos. (Roberto Carlos e Erasmo Carlos que me desculpem por tirar o romantismo da sua música.) Se essas emoções foram construídas ao longo da nossa evolução por um fenômeno natural de adaptação ao meio ambiente, será que em outro planeta, onde possa existir vida, essas mesmas emoções poderiam ter sido favorecidas pelo ambiente e construído seres com as mesmas características mentais que as nossas? É muito difícil responder a essa pergunta porque não se tem evidência nem mesmo de que um ser vivo exista fora da Terra.

Mas nunca é demais especular e especular é o que eu mais tenho feito neste blog. Uma coisa a esse respeito me intriga mais do que as outras: se existe mesmo um ser vivo com emoções em outro planeta, essas emoções serão parecidas com as nossas? Indo mais fundo, um alienígena poderá ter algum tipo de emoção que não esteja presente em nós ou, ao contrário, ter falta de alguma das emoções que nós sentimos? Tudo leva a crer que sim, porque o processo da evolução pela seleção natural é totalmente aleatório e pode resultar em organismos diferentes em ambientes diferentes. Agora, imagine a cena do alienígena, novamente, e pense como ele e o ser humano iriam falar sobre essas diferenças de sentimentos entre ambos (usando um tradutor universal, claro). “Você sabe o que é o medo?”, perguntaria o humano, tentando dar uma explicação breve sobre o que isso significa para ele. “Nunca senti isso.”, diria o alienígena, que, por sua vez, perguntaria ao humano: “E você sabe o que é sentir @#@$%?

Seria curioso ouvir falar de uma emoção – por exemplo, a @#@$% – que não conhecemos. Talvez seja impossível compreendê-la totalmente sem estar equipado com o mecanismo mental que lida com ela. Essa situação, todavia, não é totalmente inusitada entre aqueles que já lidaram com o problema de transmitir a sensação de cor a um cego, ou de música para um surdo, ou de dor para uma pessoa que sofre de analgesia, ou de textura para quem é desprovido de tato. Esses exemplos dão ideia de quão difícil é transmitir a ideia de sentir algo a quem não imagina o que seja esse algo.

Acho este assunto curioso por si só, mas ele também se presta para dar uma ideia das dificuldades de criar uma inteligência artificial. Se é difícil passar uma sensação de um ser consciente a outro, imagine a tarefa de passá-la para uma máquina! Um exemplo emblemático, embora fictício, é o que ocorreu no primeiro episódio da nova série da HBO, “Westworld”, quando um programador de robôs inseriu uma nova rotina em seus robôs que os faz ter “devaneios” e que desencadeia uma série de acontecimentos inesperados.

Com perdão do trocadilho, este assunto é emocionante.

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4 comentários sobre “São tantas emoções!

  1. BCD, Muito interessante a sua “especulação”. Na verdade não tenho curiosidade em saber se há vida em outro lugar do Universo, mas achei interessante a visão do alienígena sobre o serumano. Isso cai em outra discussão nossa – quem criou o serumano? Quem criou a vida? Como diz o Roberto Carlos… “Existe uma Força Estranha… no ar…” O abraço, Ary

  2. Belo texto! Me fez pensar que, há milhares e milhares de anos, inteligentemente (?), tudo conspira para que acreditemos que “o importante é que as emoções sobrevivam”. Será?
    Vejamos: A quem favorece essa formatação de neurônios e seus neurotransmissores? Qual é a diferença entre emoção e sentimento? Destes, qual é o mais elaborado e qual “melhor” realiza? Qual é subjetivo? E coletivo? Qual desestabiliza? E qual promove o equilíbrio? De que forma essas duas características se processam no cérebro? E no coração?
    Ah, tenho certeza de que as respostas nós já conhecemos! A evolução do ser humano e também das espécies mais adiantadas que habitam a crosta deste planeta é frontalmente atrasada por conta dessas emoções impostas pelos meios de comunicação de massa de baixa qualidade – músicas, novelas, religião e vai por aí afora… Roberto e outros tantos que exploram as falhas genéticas dos desavisados e crédulos, que também me desculpem. Penso que o raso está nas emoções não trabalhadas com o cérebro em consonância com o coração, no sentido de atingirmos o coletivo, a unidade e a felicidade de todos, pois do contrário, essas emoções não nos levam a lugar algum! Ou melhor, nos levam sim para o mais profundo buraco negro, sem luz, como está o nosso planeta! Mas, quem são esses que promovem tal configuração? Qual a linhagem de alienígenas que ainda trabalha para que os seres que estão na Terra não consigam ultrapassar esta dimensão? Quero muito conhecer, ou voltar, para o planeta aonde o sentimento de unidade fale mais alto. Pode ser aqui mesmo, na Terra! Obrigada Caio, por instigar meu cérebro. Abraço!
    Sandra

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