Termostatos e diodos conscientes, pode?

Entender como funciona a consciência humana ainda é um desafio para a ciência, como bem explica o artigo do repórter George Johnson, publicado recentemente no The New York Times. Existe algo, além da matéria, que seja responsável por essa experiência de “estar consciente”? A ciência diz que não, mas não há consenso entre os cientistas de qual seria a alternativa.

O artigo de Johnson, que pode ser lido aqui, menciona a opinião de alguns cientistas sobre este assunto. Diz ele que, segundo o neurocientista Michael Graziano, “a consciência é uma espécie de trapaça que o cérebro faz com ele próprio. Ele (o cérebro) é um computador que evoluiu para simular o mundo exterior – e, entre seus modelos internos, há uma simulação de si mesmo … O resultado é uma ilusão. Em vez de neurônios e sinapses, sentimos a presença fantasmagórica, um “eu” dentro da cabeça, mas tudo não passa de processamento de dados”.

O artigo de Johnson fala ainda que a ideia predominante entre os cientistas é a da “propriedade emergente” (no artigo, traduzida como “ocorrência inesperada”). Segundo essa ideia, a consciência surge como decorrência da união de neurônios em diferentes estados, assim como as qualidades da água surgem da união de átomos de hidrogênio e oxigênio. Mas há uma outra corrente de cientistas – ainda segundo o artigo – que acha que a consciência é intrínseca à matéria, como para os adeptos da doutrina antiga do pan-psiquismo ou, por exemplo, a ideia do físico Max Tegmark, segundo a qual a consciência pode estar associada a um tipo de estado da matéria (outro que não os conhecidos sólido, líquido e gasoso) – que ele chama de perceptronium: átomos arranjados para que possam processar informações e dar origem à subjetividade.

Johnson diz ainda que a hipótese de Tegmark foi, em parte, inspirada na teoria integrada da informação, do neurocientista Giulio Tononi. Segundo essa teoria, dispositivos tão simples quanto um termostato ou um diodo fotoelétrico podem ter vislumbres de consciência, um “eu” subjetivo.

Humm … vejo aqui uma fonte de boas histórias para este blog. Que tal “O retorno das válvulas”?

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