Perdido no espaço

Estou lendo o livro do físico Max Tegmark, Our Mathematical Universe, e estou tendo uma sensação estranha. Escrevo sobre isto, antes de terminar a leitura, porque não quero deixar passar essa sensação sem registrá-la, temendo que eu não possa recuperá-la mais tarde. As ideias do autor são controversas, mas são impressionantes para quem der a elas um mínimo de credibilidade. E eu sou uma presa muito fácil porque sou muito sugestionável nesse assunto. Mas que assunto é esse?

Tem a ver com muitas coisas estranhas e inter-relacionadas: universos paralelos, vidas paralelas, imortalidade quântica, suicídio quântico, realidade puramente matemática e outros conceitos igualmente estranhos e curiosos. Em especial, a descrição do experimento hipotético do suicídio quântico faz o do gato de Schrödinger parecer história para crianças. A descrição dos universos paralelos, em especial daquele resultante da física quântica – em que a realidade se divide em realidades paralelas à medida em que os eventos se desenrolam – faz o leitor se sentir pequeno e irrelevante, num mundo onde há um número infinito de cópias de qualquer coisa real, incluindo as de nós mesmos.

No geral, a sensação que tenho ao ler o livro é que não sou feito de carne e osso, mas de funções de onda, ou de probabilidades, ou de outros símbolos matemáticos quaisquer. Não sei mais onde resido, se no espaço de Hilbert, onde estão as funções de onda, ou no multiverso de nível I, II ou III, ou em todos esses lugares ao mesmo tempo. Ora quero parar de ler por achar tudo isso ridículo, ora uma parte do meu cérebro me convence de que tudo é plausível. Não resisto a esta última ideia e continuo lendo.

O assunto me faz lembrar aquela suspeita de que vivemos numa simulação em computador, que já mencionei em textos anteriores. Só que não estamos num computador e nenhuma inteligência superior nos incluiu em seu programa. Estamos no mundo real e, no entanto, nos sentimos como uma coisa etérea que pode se dissipar como fumaça ou se multiplicar em infinitas versões ou fazer parte de uma simples equação matemática. Se há um programador por trás disso, ele só pode ser o próprio criador do universo.

Recomendo o livro somente para quem tem os pés firmemente apoiados no chão, que poderão se divertir com as teorias curiosas e até fazer troça delas. Já pessoas como eu, sem uma âncora firme, adepto das ideias mirabolantes dos cientistas, têm que ler o livro com precaução, fazendo intervalos para voltar ao cotidiano, caso contrário, poderão perder-se no espaço.

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2 comentários sobre “Perdido no espaço

  1. E ai Caco, firmeza, tudo é real desde que você acredite, temos que separar o plausível da fantasia ou irreal, do possível e do impossível, somos energia pura comandado pela nossa mente, Temos o Criador que comanda todo o Universo, ainda iremos compreender muito mais, desde que evoluamos ao nível bem mais consciente do que estamos no patamar atual. Um grande abraço

    Horacio

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