O planeta Terra pós-sapiens

A extinção da espécie humana é algo que se pode dar como certo, só não se sabe quando ela vai acontecer e qual será a sua causa. Supondo-se que não haja um cataclismo gigante que venha a destruir o planeta, e com ele a espécie humana, é possível, então, especular sobre como seria o planeta Terra após o desaparecimento do H. sapiens. Esta não é uma tarefa fácil nem mesmo para especialistas, imagine, então, para nós simples mortais. Todavia, é possível tirar algumas conclusões simples, senão óbvias, sobre este assunto. Mas, atenção, é possível que se erre até nessas conclusões óbvias! O leitor pode perguntar nesta hora: “Então, por que insistir nisto?” A resposta é: “Por mera curiosidade em explorar o inexplorável.”

Excluindo-se a possibilidade de um cataclismo natural – incluído aí o temido aquecimento global em andamento – ainda sobram causas para a extinção dos seres humanos. Uma, em especial, e muito cogitada hoje, é a sua extinção por algum tipo de pandemia provocada por um ou vários tipos de micro-organismos. Neste caso, provavelmente, todos os demais primatas terão o mesmo fim em virtude da semelhança genética com os humanos. Esta seria, portanto, a primeira conclusão: sem homens, sem macacos.

Hoje, muitas outras espécies são dependentes dos seres humanos. Os mais próximos são os animais domesticados: cães, gatos, bois, porcos etc. Sem os humanos, que os protegem, alimentam, enclausuram, estimulam a se reproduzir, essas espécies teriam poucas chances de sobreviver ao ambiente selvagem a que estariam expostas na ausência dos sapiens. Portanto, a segunda conclusão seria: sem humanos, sem os atuais animais domésticos.

Outras espécies são parasitas dos seres humanos, i.e., vivem à margem dos humanos, mas dependem de suas atividades. São os ratos, baratas e outros animais que habitam as cidades vivendo da poluição, do lixo e das migalhas deixadas pelos humanos. Sem estes, a vida desses parasitas ficaria muito difícil. Terceira conclusão: sem humanos, sem parasitas.

A vegetação do planeta foi muito modificada com a chegada dos sapiens. Grandes porções de terra foram dedicadas exclusivamente à lavoura, substituindo, em alguns casos, as florestas. Essas plantas, que servem de alimento aos humanos e aos animais domesticados, são protegidas de pragas pelo uso intensivo de agrotóxicos. Sem esses agrotóxicos as lavouras serão rapidamente devastadas pelas pragas ou substituídas por ervas daninhas. Portanto, a quarta conclusão é: sem humanos, sem as plantas agrícolas.

As atividades humanas, em especial a queima de combustível fóssil em grande escala, têm causado alterações climáticas pela injeção na atmosfera de grandes quantidades de gás carbônico. Essas alterações climáticas deverão persistir ainda por longo tempo, enquanto os humanos estiverem aqui, a ponto de favorecer o aparecimento de novas espécies adaptadas ao novo clima. Azar dessas espécies quando os humanos desaparecerem, pois o clima mudará novamente e elas enfrentarão o desafio de se adaptar novamente. Duas conclusões neste sentido: quinta, a extinção das espécies que embarcaram no projeto dos humanos; e sexta, novas mudanças climáticas virão com o encerramento das atividades dos sapiens.

Finalmente, sem os humanos que, com as suas atividades – agricultura, desmatamento, caça predatória – limitam o florescimento de novas espécies, a biodiversidade deverá aumentar no planeta, admitindo-se que nenhuma catástrofe natural venha a acontecer. Esta é, portanto, a sétima conclusão: sem humanos, maior biodiversidade.

Enfim, o planeta será bem diferente sem a interferência dos sapiens. Até mesmo visto do espaço as mudanças poderão ser notadas. Na parte do planeta iluminada pelo sol, é possível que a atmosfera, com nova composição, reflita a luz de forma ligeiramente diferente do azul atual e, numa tomada mais próxima, a proporção entre o verde e as demais cores também poderá ser alterada, com maior predominância do verde. Na parte escura, certamente não se poderão notar mais as luzes que hoje iluminam as grandes cidades.

Será esse novo planeta melhor do que o atual? Depende do ponto de vista de cada espécie; do nosso ponto de vista, obviamente será pior, pois não estaremos incluídos nele. Quanto às espécies sobreviventes, acho que elas não sentirão falta dos humanos. É claro que esse novo mundo não terá mais quem registre as suas belezas em poesias, prosa, música, pintura e outras artes. Contudo, uma vez que nenhum dos sobreviventes terá aptidão para apreciar essas artes, também neste aspecto os humanos não farão falta.

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