O andar do bêbado

“O andar do bêbado” é o título do livro de Leonard Mlodinow que compara as nossas experiências na vida com a trajetória de um bêbado. O bêbado tropeça nos obstáculos que aparecem em sua frente e a cada tropeção muda a direção de sua caminhada. Assim ocorre com nossas vidas que são bastante influenciadas por fatos casuais que nos levam em direções imprevisíveis.

Falo sobre isso porque acabo de ser vítima, ou melhor, beneficiário de um desses tropeções. A história não é longa. Cursei o primeiro ano do científico (antigo nome de uma das opções do atual ensino médio) na Escola Estadual Dr. Coriolano Burgos, na cidade de Amparo, SP. Apesar de ter vivido ali bons momentos e de ter tido ótimos colegas, o tempo que passei lá não foi suficiente para criar em mim raízes muito profundas com o lugar e os colegas da época. Pois bem, um desses antigos colegas – e, a partir de agora, amigo – Antonio Canina – que não estava bêbado, acho – tropeçou no meu nome em uma dessas redes sociais e … pronto, entrei para a lista dos convidados para comemorar os 50 anos de formatura daquela turma do Coriolano. Se não fosse por esse fato, eu dificilmente teria participado da comemoração pois não fazia parte da lista dos formandos, uma vez que só cursara o primeiro ano no Coriolano.

Que feliz casualidade! O encontro foi excelente e, como vocês podem imaginar, recheado de histórias e fotos antigas, cada um procurando preencher o vazio do seu personagem que ficara na memória dos demais. No final, todos saíram com os seus arquivos atualizados, para usar uma linguagem atual. A foto abaixo registra o início do encontro no Coriolano.

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Vários tropeços foram necessários para reunir a turma – no mínimo um para cada participante – e graças a eles o elo entre nós se fortaleceu. Voltei do encontro com a impressão de que essas pessoas tivessem participado da minha vida durante os 52 anos em que estivemos separados, graças às memórias resgatadas durante o encontro. Há quem diga que esses fatos casuais não são tão casuais assim. Não sei, não. De qualquer modo, se havia um propósito por trás dos tropeços que permitiram esse nosso encontro, que esse propósito tenha sido o de transformar os colegas de juventude em amigos verdadeiros.

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