X = X + 1

Quem está familiarizado com programação de computador sabe que a expressão matemática do título refere-se a um comando que faz as vezes de um contador, aumentando a contagem (X) de 1 unidade toda vez que é executado. A primeira vez que tive contato com essa expressão – há muito tempo, quando comecei a cursar a faculdade – fiquei admirado com a sua simplicidade e utilidade. Agora, quando já não tenho mais contato com linguagens de programação de computador, vejo nessa expressão algumas peculiaridades que a tornam ainda mais interessante.

X = X + 1 …

… é uma forma de “auto referência” impingida ao computador, semelhante à que nós, seres pensantes, costumamos utilizar ao pensar em nós mesmos. Ao executar o comando X = X + 1, o computador reconhece que o X do lado esquerdo da expressão é o mesmo X do lado direito, cujo valor está sendo acrescido de 1 unidade. A auto referência, ou reconhecer-se a si próprio como parte de uma realidade, é uma característica marcante dos seres pensantes, como nós e alguns outros animais. Essa expressão talvez simbolize os primórdios da inteligência artificial ao inserir na máquina o conceito de auto referência. É claro que X não é a própria máquina e, portanto, a expressão não pode ser confundida com a capacidade de auto referência do computador, mas ela contém a ideia subjacente àquele conceito.

X = X + 1 …

… é uma forma de expressar mudança, movimento, progresso. O X do lado esquerdo não será mais o mesmo X do lado direito depois que o comando for executado. As expressões matemáticas – excetuando, talvez, as que incluem derivadas, retratam uma situação estática. Assim, X = 2 simplesmente diz que X tem o valor 2 e não diz nada sobre o que vai acontecer com ele em seguida. A nossa expressão-tema, ao contrário, é dinâmica ao dizer que X está mudando de valor e pode mudar sempre que a expressão for utilizada. Pode muito bem simbolizar a passagem do tempo ou a nossa evolução.

X = X + 1 …

… se entendida como uma equação matemática, é uma equação sem solução, pois não há valor para X que faça com que os dois membros da equação se igualem. Isto é, não há valor de X que faça com que X seja igual a X + 1. Ou, dito de outro modo, o X da direita será sempre menor do que o da esquerda, como se o da direita representasse o nosso conhecimento e o da esquerda, o mundo a ser compreendido; o primeiro a perseguir o segundo sem nunca o alcançar; enfim, mostrando que, a despeito de o nosso conhecimento aumentar continuamente, sempre restará um mistério a ser desvendado.

Você, leitor, talvez possa identificar outras curiosidades nessa expressão ou, o que é mais provável, simplesmente vê-la como mais uma ferramenta matemática, enfadonha, mas necessária para resolver os problemas do dia-a-dia. Em qualquer caso, o seu valor estará reconhecido.

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