Funciona como se …

Não é preciso dizer que a ciência tem tido muito sucesso em desvendar as leis da natureza, visto que as suas descobertas já proporcionaram muitos benefícios à sociedade. O sucesso mais recente, que está estampado em todas as mídias nos últimos dias, é a constatação da existência das ondas gravitacionais, previstas na teoria da relatividade de Einstein há mais de 100 anos. Não vou falar sobre isto porque não entendo muito do assunto, mas sobre o modo como a ciência descreve a realidade com as suas teorias. Acho muito curioso como isso acontece.

Em cada área do conhecimento – biologia, química, física, humanidades – a ciência utiliza ferramentas apropriadas para fazer as suas descobertas. Na maioria delas, a experimentação em campo ou em laboratório, diretamente com o objeto ou fenômeno em estudo, é o método predominante. Quando isso não é possível, constroem-se modelos do objeto para neles fazer os testes necessários. Alguns modelos são reproduções físicas – como maquetes, programas de computador etc – com os quais são feitas as simulações para se encontrar os resultados desejados. Outros modelos são puramente matemáticos, como no caso da teoria da relatividade, e estes se aplicam frequentemente às ciências físicas. É sobre estes últimos que quero falar.

Utilizar um modelo matemático para representar um aspecto da realidade parece ser um contrassenso porque a natureza não poderia seguir uma lei matemática já que a matemática não existia quando o universo apareceu. Mas é incrível constatar como as equações matemáticas descrevem tão bem a realidade. No caso da teoria da relatividade parece que essa capacidade da matemática foi levada ao extremo. Ela descreve exatamente como o tecido do espaço se deforma com a presença dos corpos celestes massivos que o habitam. Mas como é possível ao espaço se enrugar e se curvar de acordo com um modelo matemático, se um foi criado muito antes do outro?

Os cientistas sabem que um modelo matemático não é uma representação fiel da natureza e outro modelo mais preciso ou abrangente poderá vir a substituí-lo no futuro. Assim como o modelo de Newton foi substituído pelo de Einstein, este poderá ser substituído por outro. Não é tão importante saber se o espaço realmente se deforma em presença dos corpos massivos – como a teoria da relatividade diz -, contanto que acreditar nisto possa levar a sociedade a novas conquistas. Uma nova teoria poderá, no futuro, dar uma outra interpretação a esse fenômeno chamado de gravitação. Este é o aspecto curioso das teorias matemáticas sobre o universo: não importa se a sua interpretação da realidade esteja correta ou não, importa mais é que ela seja útil enquanto prevalecer como uma teoria válida.

Resumindo, no fundo as teorias querem dizer: “O universo funciona como se …”, pois não poderia ser de outra forma. E a verdade? Bem, a verdade talvez nunca seja alcançada.

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Um comentário sobre “Funciona como se …

  1. BCD,

    Concordo com tudo. Ou quase…

    Na minha (sempre humilde) opinião, a Matemática, a Física, etc. não “existem”. Nunca existiram. São, como você disse, teorias, modelos para representar a realidade.

    Não interessa se o modelo é fiel ou não, ou se vão ser substituídos por outros melhores.

    São apenas abstrações.

    O abraço,

    Ary

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