Um ensaio sobre a natureza

Tenho escrito muitos textos com este mesmo tema e desconfio que a razão é o meu fascínio pela natureza e seus segredos. Penso muito nisto, mas nunca tentei descrever a imagem que tenho da natureza em minha mente, talvez escondida em meu subconsciente. Entendo que em qualquer coisa que pensemos, concreta ou abstrata, criamos um símbolo em nossa mente para representá-la e isso acho que vale para essa entidade chamada Natureza.

Assim, decidi explicitar a imagem ou o símbolo que vem à minha cabeça quando penso nela. Vou precisar fantasiar em alguns aspectos – como nos filmes que retratam uma história verídica – ou preencher algumas lacunas, porque as imagens ou símbolos são um tanto indefinidos, como acontece com qualquer conceito abstrato que vem à nossa mente. Vai ser uma tentativa de enxergar o invisível e interpretá-lo.

Natureza é um substantivo feminino e, portanto, a primeira imagem que faço dela é de uma mulher. Parece-me que está sempre vestida de branco, sentada diante de uma tela onde produz as suas obras. Deve ser bonita, para não contrastar com a sua obra, inteligente e insensível. Imaginativa é o menos que se pode falar de sua capacidade criativa. É essa mulher de branco que imagino ser a autora de quadros como os mostrados abaixo.

A deusa Natureza imagem

Eu poderia pensar que ela fosse perfeccionista em virtude das mudanças constantes em suas telas, sempre sendo substituídas por outras que pretendem ser melhores do que as anteriores. Mas não; ela é mais do tipo dispersivo, às vezes jogando fora quadros belos como o dos dinossauros, simplesmente porque estava cansada deles. Ou, o que é mais provável, sem nenhuma razão para ter feito aquilo.

Às vezes chego a confundi-la com o Acaso, mas, pensando melhor, este último é uma simples manifestação de seu humor. Acho que este é o ponto fundamental sobre o conceito que tenho da natureza. E o ponto é: não imagino que ela tenha um plano ou estratégia a seguir. Fico surpreso em saber que, em sua displicência, ela consiga seguir leis bem determinadas, as chamadas leis da natureza. Concluo que não há leis para ela seguir, o seu comportamento é que define aquilo que nós mortais chamamos de leis. Em algum momento seu comportamento pode ser mudado e com ele novas leis da natureza surgirão.

Além da falta de um plano, outra característica marcante que atribuo a essa mulher de branco é a sua insensibilidade. É cruel o seu desprezo pelo destino das criaturas em suas telas e mais cruel ainda a batalha que lhes impôs para viver uma existência efêmera, mas muitas vezes tornada interminável pelos sofrimentos aleatoriamente recebidos. Somente a imagem de uma mulher completamente indiferente diante de sua obra, como uma pessoa demente a olhar para o vazio, me impede de vê-la como uma mulher má. Ao mesmo tempo, ao imaginá-la com esse olhar distante e indiferente chego a cogitar se ela não estaria pensando em algum plano. Me decepciono em pensar que seus mistérios permanecerão eternamente indecifráveis.

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