Círculos viciosos e círculos virtuosos

Quando eu estava na escola eu raramente conseguia desenhar uma circunferência perfeita com um compasso. O compasso – provavelmente de péssima qualidade – sempre abria as pernas quando eu o girava e o desenho resultava em uma espiral. Acho que foi por essa dificuldade que acabei ficando fascinado pela circunferência e comecei a tentar desenhá-la à mão livre, já que com o compasso não dava certo. Logo aprendi que existe uma técnica muito simples de simular um compasso com os dedos da mão, fixando o lápis entre o indicador e o polegar e usando o dedo médio ancorado no papel para servir de pivô para o compasso. Com a ponta do lápis encostada no papel basta girar a folha de papel com a outra mão até o lápis completar o círculo. Que bobagem, acho que todo mundo sabe disso! De qualquer modo resolvi anexar a figura abaixo para mostrar o resultado da primeira tentativa que fiz hoje, depois de muito tempo sem praticar essa técnica.

Circulo

Esse fascínio pelo círculo talvez explique porque as pessoas próximas me acham metódico e amante da rotina. O círculo representa a repetição, a volta ao mesmo ponto, a estabilidade, a simetria e eu não posso negar que sou atraído por esses conceitos que bem simulam o método e a rotina.

Mas o meu objetivo não é falar sobre isso. Quero aproveitar esta introdução para falar sobre os círculos viciosos e os círculos virtuosos que estão presentes em nossas vidas. Nossas ações são sempre executadas como resposta a uma motivação, como andar para chegar a algum lugar, comer para matar a fome etc. Quando a ação tem como resultado diminuir a força da motivação, dizemos que o processo tem uma retroalimentação negativa e a ação acaba por não ser mais necessária. Por outro lado, quando a ação estimula ainda mais a motivação, o processo é dito ter uma retroalimentação positiva e a ação continua a ser demandada com força cada vez maior. Os círculos viciosos e virtuosos aparecem neste último caso, quando há uma realimentação positiva, respectivamente para o mal ou para o bem.

Os círculos viciosos são bem caracterizados pelos nossos vícios, como o próprio nome já indica. Os vícios de apostar, de consumir álcool ou drogas são bons exemplos disso. Quanto mais o indivíduo aposta ou consome álcool ou droga, mais o seu organismo pede para fazer isso. Já os círculos virtuosos são mais difíceis de ser observados, mas existem. A filantropia pode ser um exemplo: ao praticar uma boa ação ao próximo o indivíduo se sente recompensado e motivado a praticar outras boas ações.

Entretanto, o nome mais apropriado para esses processos não deveria ser círculo, mas sim espiral, pois – assim como o meu compasso na escola – eles não levam ao fechamento do círculo, mas a uma espiral sem fim. Deveríamos chamá-los, portanto, de espiral viciosa e espiral virtuosa. A sociedade precisa estar inserida numa grande espiral virtuosa para progredir. Uma espiral viciosa – como parece, às vezes, ser o caso – levará a sociedade à ruína. Para a minha decepção, o círculo, essa figura geométrica tão elegante, neste caso significa a estagnação da sociedade.

A maioria de nós está sempre tentando desenhar um círculo, buscando uma vida conservadora e equilibrada. Não são muitos os que procuram traçar espirais em sua vida, buscando a novidade, a inovação, a fuga do lugar-comum. Assim, se você for um desses, torça para que seja uma espiral do tipo virtuoso.

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