Teoria de Quase-Tudo

É de causar surpresa a capacidade da matemática de descrever as leis da natureza. Parece que essas leis foram criadas para obedecer às equações matemáticas e, no entanto, as leis naturais já existiam muito antes de a matemática ser inventada. Por isso, quando tomamos conhecimento de um modelo matemático que explica algum aspecto da natureza, parece que estamos diante de mágica.

Volto a falar deste assunto porque estou lendo “A Realidade Oculta”, livro escrito pelo cientista Brian Greene – o mesmo autor do best-seller “Universo Elegante” –, e encontrei uma passagem no livro que me lembrou a mágica acima. Conta o autor que no início do século passado, os cientistas Theodor Kaluza e Oskar Klein, “brincando” com a matemática contida na teoria da Relatividade Geral, de Einstein, imaginaram uma outra dimensão para o espaço físico, além das três que conhecemos. Dos seus cálculos resultou algo que deixou todo mundo embasbacado: apareceram as antigas equações de Maxwell que descrevem o campo eletromagnético e que são a base de toda a tecnologia atual nas áreas de eletrônica e comunicação. Assim como a gravidade, na teoria de Einstein, pode ser entendida como uma distorção no espaço tridimensional causada pela massa dos corpos celestes, o campo eletromagnético parecia ser uma distorção naquela dimensão extra do espaço imaginada por Kaluza e Klein. Ninguém conseguiu explicar essa mágica.

Einstein foi um desses mágicos que conseguem tirar da cartola matemática explicações surpreendentes para o funcionamento da natureza. Entretanto, sua mágica mais importante, a Teoria de Tudo, não foi concluída embora ele tenha se dedicado muito a essa produção até os seus últimos dias de vida. A Teoria de Tudo, que ele buscava, tinha por objetivo conciliar a sua teoria da gravidade com a Mecânica Quântica que descreve as outras forças da natureza fora a gravidade. Mas os esforços nessa direção ainda continuam e é apenas uma questão de tempo até que uma nova mágica entre em cartaz na Broadway da ciência.

Pensando nesse retrospecto e soltando um pouco a imaginação, não será de causar espanto se um dia algum desses gênios malucos encontrar numa dimensão escondida as equações matemáticas que descrevem o campo das nossas ondas cerebrais e expliquem por a + b como funcionam os mecanismos que geram os nossos pensamentos, sonhos, memória, consciência, inconsciência, livre-arbítrio, enfim a nossa condição de ser humano. Diante dessa mágica, a teoria que Einstein almejava teria, então, que ser rebatizada de Teoria de Quase-Tudo.

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