Brilha, brilha estrelinha!

Ela era uma estrela pequena e vivia triste porque o seu brilho não era igual ao das outras. No céu escuro, as outras estrelas reinavam majestosas e cintilantes, enfeitando as noites das crianças. “Olha que bonita é aquela estrela! Como é mesmo o seu nome?” “Acho que é Sirius.” “E aquela outra brilhante, como se chama?” “Deve ser Canopus”. E assim as crianças apontavam e diziam o nome das estrelas mais brilhantes no céu. Menos o seu, porque não conseguiam vê-la, deslumbradas que estavam com o brilho das estrelas maiores.

Ela sabia que não podia competir com as outras estrelas nas noites sem nuvem, quando as estrelas capricham em mostrar os seus mais belos traços, brilhando como nunca brilharam antes. Ela também se esforça para aparecer aos olhos das crianças, mas seu esforço não dá qualquer resultado. Ela chega a ficar roxa de tanto esforço e acaba produzindo um pequeno brilho a mais que não é notado por ninguém numa noite tão cheia de estrelas brilhantes.

Ela estava triste, mas não deixava de fazer a sua parte. Continuava a emitir o seu brilho, mesmo que ele não fosse notado por ninguém. Afinal, as estrelas existem para brilhar e ela tinha que fazer isso. Ela sabia que era uma estrela de quinta grandeza e que isso significava que existiam estrelas de quarta, terceira, segunda e primeira grandezas que eram maiores do que ela e, portanto, brilhavam mais do que ela. No fundo ela achava isso uma injustiça. “Por que todas as estrelas não eram do mesmo tamanho e de mesmo brilho? Por que existem estrelas como eu, tão pequenas que seu brilho não é notado por ninguém?” Essas perguntas estavam sempre em sua cabeça e, mesmo não sabendo as respostas, ela continuava a brilhar porque seu instinto lhe dizia que seu brilho devia ter alguma utilidade.

E assim, a estrelinha brilhava e brilhava, sempre triste mas nunca desanimada. “Algum dia alguém há de notar esse meu brilho.”, pensava ela esperançosamente. Até que esse dia chegou. Não foi o dia em que todos perceberam o seu brilho, mas o dia em que ela, finalmente, enxergou a verdade.

“Como fui cega todo esse tempo! Mais cega do que aqueles que olham diretamente para o meu brilho.” Foi quando ela descobriu que as pessoas não a viam durante a noite porque quando ela aparecia no céu, o seu brilho era tão intenso que fazia a noite virar dia. Quando ela aparecia, o céu ficava tão claro que fazia desaparecer as outras estrelas. Só ela reinava durante o dia. Essa era a verdade: “As pessoas estão tão acostumadas com o meu brilho durante o dia que não me consideram uma estrela como as outras, que só podem ser vistas durante a noite.”

Ela não sentia mais tristeza de não ser considerada uma estrela da noite porque, agora, estava orgulhosa de ser a estrela que dá vida a todas aquelas pessoas que precisam da sua luz e calor para viver. Quando ela aparece, de manhã, as pessoas se enchem de alegria e podem brincar, passear, trabalhar. Quando ela se afasta, ao entardecer, as pessoas começam a ficar tristonhas esperando ansiosamente que a manhã seguinte venha logo. Ela não se importa mais de não ser vista durante a noite porque ela é o Sol, a estrela única dos nossos dias.

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