Utopia

O planeta é surpreendentemente parecido com a Terra, entretanto, sua localização e época de sua existência não podem ser facilmente comparadas com as nossas. Seu tamanho e características físicas, sua estrela-mãe e a sua distância até ela, tudo é uma cópia idêntica do que vemos por aqui. E as semelhanças não acabam aí: os continentes têm a forma e localização dos nossos continentes: uma América, uma Europa, uma África, uma Ásia e uma Oceania, tudo igual aqui. Porém, quando se trata da sociedade, as semelhanças acabam. A sua África é tão desenvolvida quanto a sua América e a sua Europa. O Oriente Médio esteve sempre em paz. Os asiáticos têm uma população rigidamente controlada dentro de limites toleráveis pelo ambiente e este é muito bem cuidado por todos os que vivem naquele planeta.

Hábitos e cultura são também muito diferentes dos daqui. São apenas duas as religiões de lá: a dos que acreditam em um Deus único (o mesmo para todos) e a dos que não acreditam em Deus algum. (Parece que essa divisão vai permanecer por toda a eternidade.) No entanto, essas duas facções convivem pacificamente, como as pessoas, aqui, que gostam da cor amarela convivem com as que gostam da cor verde. Não é preciso dizer que naquele planeta não há guerras, nem fome, nem crimes de qualquer natureza. Homens, animais e meio-ambiente estão em perfeita harmonia, lutando, como em qualquer lugar, contra as catástrofes inevitáveis provocadas pela natureza. Mas, unidos, eles têm muito mais chance de superá-las do que nós. Enfim, é um povo que encontrou um modo de vida sustentável, como sempre almejamos por aqui.

Parece utopia, mas não é. Esta descrição é de um possível mundo numa infinidade de mundos possíveis na versão dos múltiplos universos, ou multiversos. Universos são criados e desaparecem para dar lugar a outros e essa rotina não tem fim; continua por toda a eternidade. A possibilidade de aparecer um mundo fisicamente igual ao nosso é praticamente nula, mas pode acontecer com um número infinito de tentativas. Se a lei de Murphy for universal, algum, com menos sorte, pode ser idêntico ao nosso até nos hábitos e cultura (o azar extremo seria ter que ler os textos de um blog exatamente igual a este). Não duvide do poder da repetição exaustiva de um processo sobre diferentes recursos; ela pode produzir coisas que nem se imaginam. A evolução da vida na Terra é o exemplo mais claro dessa teimosia da natureza. Um mundo fisicamente igual ao nosso, mas livre dos seus defeitos mais crônicos, não é uma impossibilidade. Basta esperar pela ação da natureza e um dia isso vai acontecer, mas é preciso ter um pouco de paciência porque pode demorar algum tempo. Na verdade, já pode ter acontecido antes e poderá acontecer de novo. Pena que não tenha dado certo conosco.

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Um comentário sobre “Utopia

  1. Dias, que bom que desse certo! Está parecendo a história de Adão e Eva, no jardim do paraíso!
    Como você disse, com paciência a gente chega lá!
    Abraços
    Aristides

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