Segunda chance

 

O Relógio do Apocalipse marca os minutos simbólicos que nos separam do fim do mundo. No último acerto do relógio, em janeiro de 2015, seus ponteiros foram adiantados de 5 para 3 minutos até o apocalipse (Veja vídeo). Isto quer dizer que estamos mais próximos do apocalipse do que estávamos na época do acerto anterior. Significa que as coisas pioraram e as ameaças à civilização, hoje, são mais concretas.

Pegando este gancho, pensei na situação extrema em que a civilização venha a sucumbir diante de uma tragédia no planeta. O que aconteceria depois? Selecionei algumas perguntas que poderíamos fazer diante dessa situação:

  • Uma outra espécie inteligente poderia surgir para nos substituir?
  • Quanto tempo levaria para que isso acontecesse?
  • Essa espécie seria fisicamente parecida com a nossa?
  • Ela encontraria traços de nossa civilização?

Para que as perguntas acima façam sentido é necessário supor que as condições do planeta pós-apocalipse não sejam hostis à vida e à evolução dela. Assim, em princípio, não é impossível que a vida inteligente apareça novamente como fruto da evolução de um ou vários dos seres sobreviventes à tragédia. O caminho certamente será diverso daquele que deu origem ao H. sapiens. As condições climáticas, os recursos naturais, os predadores e presas existentes, tudo deverá cooperar com a evolução para trazer de volta um ser inteligente. Especialmente o acaso, com a criação das mutações adequadas para o aparecimento de novas espécies. Tempo haverá de sobra para que essas mutações apareçam e desapareçam até que as mais viáveis sejam incorporadas e resultem em espécies mais adaptadas às condições ambientais. Quanto tempo será preciso para que um ser equiparável ao H. sapiens apareça é muito difícil estimar. Não menos do que alguns milhões ou dezenas de milhões de anos, dependendo de qual será o ponto de partida. Basta lembrar que dos primeiros hominídeos até o H. sapiens vários milhões de anos se passaram.

Uma nova espécie inteligente deverá ter a aparência muito diferente da nossa, pois não há um caminho único para a evolução e os ancestrais do novo ser terão sido muito diferentes dos nossos ancestrais. Algumas características que fizeram o H. sapiens vingar talvez sejam repetidas no novo ser, como o andar sobre duas patas, a empunhadura firme com as patas superiores (se for terrestre, claro) e o cérebro grande, mas todo o resto será muito diferente.

É bem possível que o novo ser encontre algum vestígio do nosso legado sobre a Terra. Depende de quanto tempo terá decorrido desde a nossa desaparição. A verdade é que nós fizemos uma grande transformação em nosso planeta e, com um pouco de sorte, alguns resquícios dessa transformação permanecerão por muito tempo, ainda que enterrados em grande profundidade. Se eles resistirem ao tempo, a nova espécie será suficientemente curiosa e engenhosa para encontrá-los onde quer que estejam. É curioso pensar na reação dos novos seres inteligentes diante de um descobrimento dessa natureza. Vão levantar várias teorias e uma delas dará conta de que a Terra fora visitada por alienígenas no passado.

Nós, alienígenas, que ironia! Pensando bem, se isto vier a acontecer, a nossa espécie terá merecido essa retribuição por termos sido, provavelmente, os responsáveis por tudo o que terá acontecido.

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