Natureza sem rumo

A natureza é mesmo admirável e cheia de mistérios. Ela pode não ser boa nem má, mas é disciplinada. E como! Obedece rigorosamente às suas próprias leis, doa a quem doer. E como doeu para as espécies dos dinossauros, dos mamutes e outras! Já nós, os Homo sapiens, tivemos sorte ou ainda é cedo para dizer isto? A nossa vez de desaparecer ainda vai chegar?

Como eu disse, a natureza segue rigorosamente as “leis da natureza”. Se essas leis mandam congelar o planeta, dá-lhe frio. Se é para descongelar, que se derretam as calotas polares. Ela já fez isso várias vezes e nesse processo muitas espécies acabaram sendo vítimas. Ela já criou terremotos, vulcões, impactos de asteroides e outras calamidades. Se isso tudo prejudicou algumas espécies, paciência; a culpa é das leis da natureza. (Portanto, cuidado, nem tudo que é natural é correto ou melhor!)

“Tudo isso tem um propósito?” é o que homem sempre perguntou e nunca respondeu de forma satisfatória. E o próprio homem é o motivo dessa pergunta, porque ele apareceu no planeta de uma forma inesperada e surpreendente, fruto das estripulias da natureza seguindo as suas leis. É um ser vivo que adquiriu características tão especiais que lhe proporcionaram subjugar todas as outras espécies e, de certo modo, até a própria natureza.

Fritjof Capra e Pier Luigi Luisi, em seu livro “A visão sistêmica da vida” (leia mais aqui), conjecturam que o planeta tem a capacidade de se autorregular (como um ser vivo) e a utilizou para criar as condições (temperatura, atmosfera etc) propícias para o aparecimento da vida. É apenas uma conjectura. Eles não explicam por que as placas tectônicas continuam se movendo e causando os terremotos que matam milhares de pessoas. Estaria o planeta ainda se autorregulando até encontrar a espécie merecedora de morar aqui com tranquilidade?

É mais fácil acreditar que a natureza faz as coisas de forma imparcial e sem qualquer propósito. Pelo menos era assim antes de chegarmos aqui. A parcialidade e o propósito, no entanto, surgiram com o aparecimento da espécie humana. Em um grau cada vez maior o homem está conseguindo influir no meio-ambiente e direcionar a ação da natureza. Já extinguimos muitas espécies de animais e plantas, domesticamos e alteramos geneticamente outras e cercamos as mais arredias numa espécie de zoológico – as selvas ainda existentes – para o nosso entretenimento.

A natureza, que hoje incorpora o Homo sapiens, continua a seguir as suas leis, mas agora tem a ajuda desse agente com poder de direcionar conscientemente a sua ação por meio de tecnologias cada vez mais sofisticadas. Com a ajuda desse agente, pode-se dizer que a natureza se tornou má, pelo menos para as inúmeras espécies de animais que vivem confinados com o objetivo único de alimentar a raça humana. Também para uma grande quantidade de indivíduos da própria raça humana que estão à margem da sociedade, não por conta de desastres naturais, mas por conta da ação de seus próprios semelhantes.

O homem ainda não conseguiu se livrar das ameaças das grandes catástrofes naturais e, com as suas ações, pode até potencializar novas catástrofes como a do aquecimento global. Entretanto, com suas tecnologias está conseguindo avanços tão grandes na medicina que o fazem pensar até na imortalidade, dentro de um horizonte de tempo não muito longo. Afetada por um ser tão complexo como o homem, que às vezes parece se passar por Deus, é difícil prever que rumo a natureza irá tomar no futuro. A pergunta com que o historiador Yuval Noah Harari termina o seu livro “Sapiens – Uma breve história da humanidade” (leia mais aqui) dá bem a dimensão dessa incerteza: “Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?”

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4 comentários sobre “Natureza sem rumo

  1. Adorei o texto,Dias .E essa é uma preocupação que ja tenho a algum tempo.
    Espero que a mãe natureza continue nos protegendo.
    Abraço.

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