Homo statisticus

Os economistas gostam muito de usar a estatística em seus estudos. Tiram a média de tudo: PIB, renda, consumo, custo, faturamento, qualidade de vida, escolaridade etc. Hoje vou pensar como os economistas e sugerir um experimento hipotético da seguinte forma:

  1. Considere todos os traços que definem a natureza humana: inteligência, generosidade, empatia, solidariedade etc.
  2. Defina uma escala de medida para cada um deles.
  3. Tome todos os indivíduos da humanidade e meça cada uma das suas qualidades (traços) na respectiva escala.
  4. Para cada uma das qualidades tire a média sobre todos os indivíduos da população.
  5. Crie um indivíduo hipotético com as características médias obtidas no passo anterior.

Vou chamar esse indivíduo de Homo statisticus e tentar tirar algumas conclusões sobre como ele seria. Imagine o Homo statisticus morando ao lado de sua casa. Você, provavelmente, não notaria nele nenhuma diferença em relação às pessoas com as quais costuma conviver. Talvez algum comportamento mais orientalizado do que o da maioria da vizinhança, porque, afinal, os asiáticos estão em maioria na população e teriam puxado as médias para o seu lado. Mas nada que parecesse muito radical neste mundo globalizado. Ele talvez passasse desapercebido.

Todavia, considere, agora, uma extensão do experimento hipotético: substitua todos os indivíduos da humanidade pelo Homo statisticus. Que sociedade resultaria dessa experiência? Melhor, igual ou pior do que a nossa sociedade formada por indivíduos reais e diferentes uns dos outros?

Sem medo de errar, eu diria que essa sociedade hipotética seria melhor em alguns aspectos e pior em outros. O rumo da história é traçado pelos indivíduos que se sobressaem da média e têm capacidade de promover mudanças, para o bem ou para o mal, que não seriam nunca promovidas pelo cidadão mediano. Assim, numa sociedade composta só de Homo statisticus provavelmente não teriam havido as grandes guerras e outras atrocidades contra a humanidade, mas não teria havido, também, o grande desenvolvimento nas artes, nas ciências e na tecnologia que temos hoje. Essas coisas ruins e boas são causadas, ou fortemente influenciadas, por indivíduos especiais que aparecem de tempos em tempos para mudar o status quo.

Essa sociedade hipotética do Homo statisticus é a nossa sociedade sem aqueles pontos fora da curva. Sem eles, nós somos um rebanho de ovelhas à espera de bons pastores que nos guiem para novas pastagens e, às vezes, somos surpreendidos por alguns que nos levam direto para armadilhas de lobos. Estamos sempre à mercê do aparecimento de um salvador que coloque a nossa casa em ordem. Como um jogador de pôquer precisa de várias boas mãos seguidas para recuperar as fichas perdidas, nós precisamos de várias gerações de indivíduos brilhantes para recolocar a sociedade nos eixos. Infelizmente, esses indivíduos brilhantes vêm sempre acompanhados dos anti-heróis que quase sempre põem tudo a perder.

Resta a nós – reles Homo statisticus – o consolo de executar um importante papel nesse jogo: o de saber escolher os líderes que devemos seguir.

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