Alegorias

De forma simples, uma alegoria é uma história contada em um contexto, mas que tem como objetivo expressar um outro contexto. Um exemplo clássico de alegoria é “A revolução dos bichos”, de George Orwell, que narra a história da revolta dos bichos em uma fazenda, mas que, de fato, quer se referir às influências que o poder exerce sobre os homens. Outro exemplo de alegoria está na história contada por Ernest Hemingway, em “O velho e o mar”, em que um pescador idoso trava uma luta difícil contra o peixe que ele quer apanhar. Essa história pode representar as dificuldades enfrentadas pelo homem durante a sua existência.

Platão idealizou a alegoria da caverna onde os seus habitantes só tinham contato com o mundo exterior através das sombras projetadas nas paredes da caverna, pelas pessoas e objetos que estavam fora dela. Com isso ele queria dizer que nós somos como os habitantes da caverna que só têm acesso a uma versão distorcida da realidade.

Baixando um pouco (um pouco?) o nível, já publiquei também uma alegoria aqui neste blog com a história “Um dia no parque” e espero escrever outras porque a alegoria é um recurso de linguagem que tem um forte apelo junto ao leitor.

E de onde vem esse apelo? De início, as pessoas poderiam perguntar: Por que escrever uma história para expressar indiretamente uma opinião sobre outra realidade? Por que não expressar logo a opinião sobre essa realidade? A resposta a essas perguntas tem duas partes: 1) É uma oportunidade para o escritor escrever uma história que, mesmo que não seja entendida pelo leitor como uma mensagem, ainda assim possa ser apreciada como uma bela história; e 2) Uma mensagem transmitida dessa forma tem maior chance de ser assimilada do que teria se transmitida de forma direta. (Não é à toa que os textos de autoajuda fazem uso fortemente desse recurso.)

É curioso como o ser humano tem atração por situações que envolvem mensagens indiretas, tramas conspiratórias ou fatos enigmáticos. A narração de uma história que se desenrola de uma forma direta e completamente inteligível parece não ter muita graça. Mais graça tem quando o narrador introduz alguns elementos de dúvida e mistério.

Pois bem, se isso for verdade, espero aguçar a curiosidade do leitor com uma ideia extravagante que me vem à cabeça quando eu penso em alegoria. Pergunto, então, e se – ainda que sem uma razão visível e com uma probabilidade minúscula de ser verdade e, ainda mais, com todos os fatos dizendo o contrário -, repito, e se a história de nossas vidas, que nos parece tão real, não passasse de uma simples alegoria? Nessa vida, não poderíamos estar interpretando o papel dos homens da caverna do Platão, ou dos animais que se revoltaram na fazenda, numa espécie de espetáculo montado por um autor que não vemos, para significar uma outra realidade da qual não fazemos ideia?

Se isso fosse verdade, qual seria a moral dessa história?

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Um comentário sobre “Alegorias

  1. Meu amigo Caco. Leitor assíduo de seu Blog, gostei muito também deste. Eu gosto muito de Fábulas porque elas ilustram e gravam as histórias em minha memória. Esopo é um dos preferidos. Primeiro lembro-me da Fábula e, depois, da moral da história.
    Parabéns!
    Carlos

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