O paradoxo da vida

Em minha caminhada matinal ouço uma daquelas músicas melosas (segundo a escala musical do Caco) enquanto uma leve brisa suaviza o calor de um sol forte e brilhante. (Que frase mais brega! Mas, afinal, preciso de uma para ir ao ponto!) É um dia perfeito, penso, para refletir sobre a vida, e logo sou invadido por uma enxurrada de pensamentos. Dentre eles focalizo em um que, no momento, parece ser o mais importante: o privilégio de estar vivo.

A vida, quer de seres humanos ou animais, é uma coisa mágica. Não é necessariamente uma sequência de fatos agradáveis e pode, para muitos, significar mais sofrimento do que alegria. Mas é uma coisa mágica e ninguém discorda disso. O que me intriga é o porquê nem todos têm o privilégio de viver. Por que somente alguns, dentre todos os seres possíveis, são escolhidos para desfrutar desse privilégio? Por que a irmã que nunca tive ou a filha que também nunca tive não tiveram a sorte de nascer? Por que eu mereço estar vivo e um outro não? O que me qualificou para ser escolhido?

Se levarmos para o lado prático é claro que essas perguntas não fazem sentido. Em primeiro lugar está a dificuldade de definir o que é um candidato à vida. Em seguida, qualquer que seja essa definição, é bem provável que o número de candidatos à vida seja inimaginavelmente grande ou infinito e não haveria lugar para todos num espaço limitado. Mesmo sabendo que nem todos viveriam ao mesmo tempo, o fato de o nosso planeta ter um tempo de vida limitado é um impeditivo para que ele possa abrigar a todos os candidatos à vida.

Mas este assunto não tem nada de prático; ele transcende a realidade pois, afinal, estou falando de mágica. E a dúvida continua a martelar: por que eu fui escolhido e não um outro no meu lugar? Ou, colocada de uma outra forma: por que o mundo não é um local capaz de abrigar a todos os candidatos à vida? Ou, ainda: por que existem as limitações físicas de espaço e recursos de modo que nem todos os candidatos à vida possam dela desfrutar?

Alguém poderia tentar resolver esse paradoxo alegando que a vida pode ser possível em uma outra galáxia. Aquelas que poderiam ter sido minha irmã e minha filha poderiam, então, estar vivendo longe daqui e, por sua vez, perguntando por seu irmão ou filho que não tiveram. É possível ainda – acrescentariam esses otimistas – que exista uma infinidade de outros universos paralelos para permitir a todos o privilégio da vida.

Entretanto, até que essas ideias adquiram um mínimo de plausibilidade o indivíduo comum terá a sensação de que nós estamos sozinhos no mundo e de que fomos os escolhidos para nascer, dentre uma infinidade de outros candidatos. E continuará perguntando: qual é a razão desse privilégio dos escolhidos e dessa discriminação contra os rejeitados?

Temo que a explicação para esse paradoxo esteja na resposta mais simples possível: a de que ninguém esteja tomando conta desse mundo e que tudo seja fruto do acaso. Mas esta resposta não é nem um pouco simpática porque ela traz consigo uma sensação de desamparo com a qual não queremos conviver. É preciso, portanto, buscar uma outra explicação para esse paradoxo.

Epa! A música melosa chegou ao fim e com isso terminam as reflexões. Agora começou a tocar uma outra ainda mais melosa que me convida a representar um super-herói que salva a humanidade. Fui!

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4 comentários sobre “O paradoxo da vida

  1. CARO CACO,

    FICO, DESDE JÁ, ESPERANDO O “PARADOXO – PARTE II.

    A APARENTE APORIA É UMA BOA ESCALA, MAS NÃO PODE SER PORTO DE CHEGADA.

    ABRAÇO FRATERNO

    NÍLSON

  2. Oi Dias,
    Muitas vezes faço esses mesmos questionamentos do seu texto…….mas, queria um final um pouquinho esclarecedor…….rsrsrrs……
    Abraço.

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