Utopia

Eles estão indo embora e não vão deixar saudades. Suas naves enormes, que não podem ser vistas pelos nossos olhos, estão deixando o nosso planeta, uma a uma, num processo que ainda vai demorar muito tempo, tamanha é a infraestrutura que fixaram aqui na Terra. As naves são tão potentes que a saída de cada uma delas pode causar danos ao nosso planeta e é por isso que elas têm que ir embora aos poucos. Não que eles tenham pena de nós, pois já nos causaram o pior dos males. Eles não querem pôr em risco a própria pele provocando um colapso do planeta e destruindo as naves que ainda estão aqui. O pouso e a decolagem desses trambolhos têm provocado terremotos, tsunamis, mudanças climáticas e outros efeitos que sempre achamos que fossem catástrofes naturais. Mas o que foi que eles fizeram e por que estão indo embora?
Bem, essa é uma longa história. Eles são de muito longe e muito mais antigos do que nós. São uma raça muito inteligente e só. Desenvolveram tecnologias que nem imaginamos que pudessem existir. Mas não viviam bem porque a racionalidade pura e simples é o caminho mais curto para as guerras. Por isso viviam em guerras. Eles não conheciam a generosidade, a solidariedade, o amor, a empatia com o próximo e, é claro, assim não podiam viver felizes. Mas eles descobriram uma raça, num planeta muito distante, que possuía essas qualidades. Eles não vieram aqui para roubar os nossos recursos naturais ou tomar conta do planeta. Vieram para roubar a nossa humanidade. E desenvolveram um método para roubá-las de nós. Foi assim que tudo começou e hoje eles estão completando essa grande missão.
O processo não foi rápido; começou há milhares ou milhões de anos. Talvez com Adão e Eva, ainda no paraíso. O certo é que a humanidade tinha tudo para ser um povo pacato e feliz se não fossem esses intrusos que roubaram o nosso humanitarismo e nos fizeram ser expulsos do paraíso. Nossa história registra que sempre fomos uma espécie beligerante. Mas isso só passou a acontecer depois que os intrusos iniciaram esse processo de desumanização, em data pouco precisa do nosso passado.
Há evidências claras da presença deles entre nós, muitas vezes documentadas mas nunca aceitas como provas reais. Com sua tecnologia de acesso ao nosso cérebro eles foram capazes de transferir as nossas qualidades humanitárias para os seus próprios cérebros, deixando-nos cada vez mais desprovidos delas. Fazem isso por vários meios, seja durante o nosso sono ou por meio de drogas que nos deixam inconscientes ou até quando estamos conscientes, por meio de nossos governantes já abduzidos. O resultado disso tudo é a sociedade que conhecemos hoje: caótica, sem valores, impiedosa e desorientada.
Não deveria ser assim. Se não fossem esses intrusos, hoje estaríamos vivendo num mundo que os filósofos chamam de utopia e os religiosos chamam de paraíso. No entanto, como a serpente bíblica, eles roubaram a nossa humanidade e nos privaram do paraíso. Hoje eles deixam o nosso planeta como os conquistadores de outrora deixavam os territórios conquistados: uma terra arrasada. Para nós restam duas esperanças: 1) a de que entre os 7 bilhões de terráqueos ainda haja um número suficiente de pessoas não abduzidas e capazes de recuperar a sociedade, ou 2) a de que os intrusos, agora humanizados, tenham pena de nós e voltem para nos devolver as nossas preciosas qualidades perdidas.
Vocês podem estar pensando: como sei de tudo isso? Tentem adivinhar.

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