Gosto desta música

Não é raro um de meus filhos criticar o meu mau gosto quando me flagra ouvindo minhas músicas prediletas. Aí começa uma discussão sobre quem realmente tem mau gosto, se as minhas músicas são ultrapassadas ou se as dele têm um mínimo de qualidade. É claro que esse tipo de discussão nunca vai ter um vencedor.

A verdade é que gosto muito de música, tanto que em quase tudo que faço tem de haver um fundo musical – neste momento estou ouvindo uma música cantada pela Dionne Warwick – e já escrevi neste blog um texto chamado “Som mágico” em que falo da música como uma característica marcante da natureza humana.

Certamente há critérios técnicos e objetivos para determinar a qualidade de uma música, mas, honestamente, eu não os conheço e não sei se gostaria de conhecê-los. Acho que eles são de interesse mais dos músicos profissionais. Entendo que a atratividade de uma música esteja muito relacionada com as memórias ou os sentimentos que ela evoca no ouvinte. Se isso for verdade, então o ato de gostar ou não de uma música está ligado às circunstâncias em que a música foi ouvida pela primeira vez – ou repetidas vezes – ou à sua capacidade de desencadear certa sequência de emoções no ouvinte. Gostar ou não de uma música é, portanto, uma experiência pessoal que não pode ser contestada por outra pessoa. Isso não é nenhuma novidade, pois há muito já se sabe que “gosto não se discute”.

O que pode ser discutível, entretanto, é o aspecto que vou levantar agora e sobre o qual já confessei minha ignorância. Seria natural esperar que a qualidade da música, e das demais artes, evoluísse sempre para melhor com o passar do tempo? A música de hoje seria melhor do que a de décadas atrás? Ou de séculos atrás? Um problema a considerar é a diferença de qualidade dos instrumentos e equipamentos disponíveis em cada época. Mas, abstraindo-se desse fato, seria possível fazer comparação entre estilos de música de épocas diferentes? É difícil responder.

Imagino que possa haver um paralelo da música – e das artes em geral – com a ciência. No caso da ciência, é fato que o seu desenvolvimento passa por altos e baixos, com períodos de iluminismo e obscurantismo, mas é indiscutível que há uma tendência de progresso. Hoje, graças à ciência, entendemos muito melhor o mundo do que em épocas passadas. Percebe-se um avanço no conhecimento que pode ser medido por critérios objetivos. Todavia, não é fácil perceber essa tendência de progresso com relação à música. Será que ela existe ou esta seria uma questão sem sentido?

É fato constatável que há épocas mais férteis do que outras na produção de obras primas (não é sempre que aparecem Beethoven, Beatles etc), mas a questão não é essa. A questão é: na época dos Beatles a música estava mais evoluída do que na época de Beethoven? E hoje ela estaria mais evoluída do que na época dos Beatles? Acrescento mais uma questão: se no futuro for possível ao ser humano, por meio de alguma tecnologia, detectar sons em frequências mais baixas ou mais altas do que o ouvido humano hoje é capaz de detectar, as músicas poderão ser, então, de melhor qualidade? Sendo ainda mais radical: a música dos alienígenas será melhor do que a nossa?

Não sei se estas perguntas fazem sentido e, se o fizerem, se as respostas são simples. Assim, encerro a especulação por aqui, mas não desligo o meu som.

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