Um pedido às estrelas

A menininha olhou para o céu estrelado e, dirigindo-se a uma das estrelas, disse:

– Ei você, a estrela mais brilhante! Posso lhe fazer uma pergunta?

A estrela Sirius olhou para os lados e depois para baixo, procurando por quem tinha falado com ela, e ao ver a menininha respondeu:

– Claro, pode perguntar.

– Dizem que você atende a pedidos mas eu não sei o que pedir. Você pode me dar uma sugestão?

– Claro que posso, mas eu não costumo fazer isso. As pessoas sempre sabem o que pedir quando falam comigo. Pense um pouco naquelas coisas que você mais gosta e ainda não tem.

– Mas eu já tenho tudo o que eu gostaria de ter! O que os meus pais não me dão, os meus avós se encarregam de dar.

A estrela insistiu:

– O pedido não precisa ser para você; pode ser para outra pessoa de quem você gosta muito.

– Ah! Gosto de tantas pessoas! Posso fazer um pedido para um monte de gente?

– Claro, desde que você saiba o que pedir para cada um.

– Acho que não sei, porque são tantas pessoas.

– Então escolha aquelas de quem você mais gosta. Para as outras você pode fazer o pedido mais tarde.

– Boa ideia, mas ainda estou em dúvida sobre quem escolher. Minha mãe, meu pai … mas eles já são muito felizes com o que têm!? E se eu fizer um pedido para aquelas pessoas que não têm nada? Posso?

– Claro que pode, mas quem? Você precisa me indicar as pessoas e dizer o que quer para cada uma delas.

A menina pensou um pouco:

– Eu não as conheço. E se elas próprias fizessem o pedido? Elas saberiam o que pedir.

– Essa é a ideia – disse a estrela já um pouco impaciente.

A menina, ainda em dúvida, perguntou:

– Mas elas sabem que podem fazer um pedido para você? Muitas talvez não saibam.

– Bem, suponho que todos saibam porque isso já é uma tradição antiga: fazer um pedido para uma estrela.

– Sei não. Muitas nem olham para o céu e outras, quando olham, não conseguem ver as estrelas por causa da poluição.

– É, acho que você tem razão. Temos atendido a poucos pedidos ultimamente – disse a estrela e, resignada, continuou:

– Enfim, estamos cumprindo a nossa parte e ficamos sempre à disposição daqueles que nos procuram.

A menina aproveitou a deixa:

– Vocês precisam fazer alguma coisa para serem mais notadas. As pessoas precisam olhar para o céu.

E entusiasmada com as ideias que vinham à sua cabeça, continuou:

– Talvez umas chuvas de meteoros ou algumas explosões de supernovas possam atrair a atenção das pessoas.

A estrela, agora mais interessada na conversa, respondeu:

– Isso! Precisamos fazer algum alarde para que todos saibam que estamos aqui a seu serviço.

– Hum … acho que isso não será suficiente. Vocês, estrelas, precisam ter acesso mais rápido e eficiente aos desejos das pessoas. Já sei!

A estrela, ansiosa, perguntou:

– O que você sabe? Diga logo!

– Tem uma pessoa que sabe o que todas as crianças querem ganhar.

A estrela logo entendeu:

– O Papai Noel! Como não pensamos nisso? Podemos fazer uma parceria com ele. A troca de informações vai facilitar muito o nosso negócio. Podemos criar uma nova organização para agilizar a entrega dos desejos e você poderia ser a nossa consultora, talvez a líder, ou CEO, como dizem, e …

– Pare! Eu só queria fazer um pedido. Não quero me envolver nisso. Isso é coisa para vocês, estrelas.

Ao falar isto ela se deu conta de qual seria o seu pedido e exclamou:

– Já sei o que vou pedir!

– O que? – perguntou a estrela.

– Que as estrelas nunca percam o seu brilho!

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