Para quem tem tempo e nada em mente

A mente humana e o tempo sempre me intrigaram, como pode ser constatado pelos assuntos que eu abordo neste blog. A primeira, pela sua complexidade e pelos seus muitos aspectos ainda não decifrados. O segundo pelo seu sentido abstrato, mas ao mesmo tempo visível em todos os seus efeitos (quem não percebe o passar do tempo?). A curiosidade por esses dois temas levou-me a escrever, tempos atrás, uma série de contos que submeti a um concurso – se não me engano, do Banco do Brasil – sem nenhum sucesso, pelo menos até hoje (decorridos cerca de dez anos, ainda não recebi uma resposta, mas como a esperança é a última que morre, ainda estou aguardando o anúncio de que ganhei o prêmio de R$ 5 mil). São histórias de ficção científica, em que eu procuro descrever as situações incríveis que surgem quando se aborda tais temas sem qualquer compromisso com a realidade.

Muitos estudos e pesquisas têm sido feitos ao longo do tempo, e agora com maior intensidade, para a compreensão do cérebro humano e dos processos mentais. Hoje já existe um modelo bastante razoável de como o cérebro humano funciona e é possível associar de forma bastante satisfatória as regiões do cérebro com as funções por elas realizadas. Todavia, estamos ainda muito longe de conhecê-lo por completo e de podermos manuseá-lo como conhecemos e manuseamos os demais órgãos do corpo humano. É evidente que isto acontece porque ele é um órgão complexo e vital para a sobrevivência do corpo e, portanto, não pode ser objeto de experiências com riscos de insucesso, por menores que eles sejam. Um desses riscos está associado com o conceito de identidade. O medo de perder a identidade talvez seja a maior força que impede as pessoas de submeter seu cérebro a experiências mais ousadas. A preservação da identidade é tão importante quanto a preservação da vida. Mas o que é realmente a identidade? O que nos faz diferentes de todos os outros seres humanos? Esse conceito abstrato de identidade cria as mais fantásticas situações, no campo da ficção, produzindo um material farto para as histórias que falam de transplante de cérebros, troca de identidade, lavagem cerebral, clonagem e tantos outros temas relacionados com este assunto.

O segundo tema, o tempo, me intriga pela sua natureza misteriosa. As viagens através do tempo são, sem dúvida nenhuma, o aspecto que mais fascina as pessoas neste assunto. É possível viajar no tempo? Visitar o passado ou o futuro? O que significa o passar do tempo? Esta é uma pergunta que quase todas as pessoas já se fizeram sem contudo ter uma resposta satisfatória, na maioria dos casos. A explicação de que o tempo é uma quarta dimensão, associada às outras três dimensões do espaço físico, não tem ajudado muito nessa tarefa. Associar o passar do tempo com a relação de causa e efeito que rege todos os fenômenos reais pode ser uma forma mais simples de entender o seu significado. Neste sentido, o tempo denota a sucessão de eventos segundo a qual a causa sempre antecede o efeito. Mas causa e efeito não poderiam vir sempre aos pares, simultaneamente, sem a necessidade da precedência? Li recentemente o livro “From eternity to here – The quest for the ultimate theory of time” (Da eternidade até aqui – A busca pela teoria final do tempo), do físico americano Sean Carroll, que procura explicar a direção do tempo pelo conceito de entropia– uma espécie de medida da desordem de um sistema. Simplificando exageradamente, a mensagem do livro é que o tempo flui sempre na mesma direção porque a entropia de um sistema isolado sempre aumenta. (Por exemplo, um filme em que um ovo se quebra faz sentido, enquanto que um outro em que um ovo quebrado se transforma em um ovo inteiro, não. Isto porque o ovo inteiro tem menor entropia do que o ovo quebrado). Tudo bem, mas essa teoria ainda está longe de explicar a nossa sensação do passar do tempo, que tem tudo a ver com a nossa condição de ser pensante. Enfim, isto para mim é um assunto instigante e rico em situações que geram temas para histórias de ficção.

Ao pensar nessas questões, e também no que escrevi anteriormente sobre “viver um sonho” através da ficção, fiquei estimulado a editar os contos escritos e, no futuro, complementá-los com outros para, quem sabe, compor um novo livro, agora somente sobre ficção científica. Para fazer isto por meio deste blog, e sem mudar a sua linha, criei a página “Contos” onde vou publicar, um a um, os contos já escritos e os que virão. Um deles, intitulado “Aonde foram todos?”, já está naquela página há algum tempo. Outro, intitulado “Memórias”, está sendo publicado hoje. Para os que gostam de ficção é só clicar aqui para ir diretamente à página “Contos”. Para os que não gostam, espero ter novas ideias para refletir sobre a nossa complexa realidade, por meio dos posts regulares.

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3 comentários sobre “Para quem tem tempo e nada em mente

  1. Legal, Blog do Caco.

    Só que estou sem tempo de ler agora, vou ler quando arranjar algum.

    (se você tiver algum para me vender, eu compro, estou precisadno)

    O abraço,

    Ary

  2. Olá Dias
    Espero para breve que você ganhe o prêmio do Banco do Brasil…merecidamente!
    A sua colocação é interessante…e preocupante!
    Abraços
    Aristides

    N.B. O Ary é bem engraçado!

  3. Oi Dias,
    Adorei que você voltou escrever e voltou com tudo……Com certeza vou ler todos os seus contos.
    Abraços pra vc e pra Mary.

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