Nossos universos paralelos

Universos paralelos existem! Eles estão bem em nossas cabeças! Cada um tem o seu próprio universo e ninguém consegue adentrar o universo de outrem. Tudo o que vemos, ouvimos, percebemos constitui o nosso universo particular que está localizado em nossa mente e não sabemos como é o universo alheio, a não ser por informações indiretas fornecidas pelo seu próprio dono. Nessa tarefa – de conhecer a mente alheia – nem mesmo as máquinas mais sofisticadas de investigação e mapeamento do cérebro podem ajudar pois não conseguimos (pelo menos no estágio atual do conhecimento) traduzir as informações que elas produzem em uma “visão” da mente da pessoa analisada. Pode ser que um dia isso venha a ser possível, mas esse dia parece estar ainda muito longe.

Na ciência, fala-se muito sobre universos paralelos e sobre os caminhos de minhoca, que seriam possíveis atalhos para ligar um universo a outro. Em analogia, pode-se falar, também, de caminhos de minhoca que ligariam as mentes das pessoas. Seriam os mecanismos que permitissem a uma pessoa adentrar a mente de outra pessoa e, assim, perceber o mundo como ela o percebe. Essa ideia fantasiosa já foi muito explorada em histórias de ficção em várias versões. Uma delas é a da telepatia, que permite às pessoas se comunicar diretamente por meio de suas mentes. Se a telepatia fosse real, as pessoas não precisariam falar umas com as outras, mas apenas pensar naquilo que querem transmitir ao seu “interlocutor”. De certo modo, a telepatia seria uma forma de uma pessoa ler os pensamentos de outra pessoa. Outra versão é aquela em que uma pessoa com certos poderes mentais pode dominar a mente de outra, fazendo-a tomar decisões contra a sua vontade. Essa forma mais dura de intromissão na mente alheia pressupõe não só ter acesso mas também manipular a mente de outrem.

Deixando de lado a ficção, os meios disponíveis para conhecer a mente alheia ainda são muito insipientes e o melhor deles ainda é o de fazer analogia com a nossa própria mente. Supomos que as outras pessoas pensam, sentem e percebem do mesmo modo que nós, quando defrontadas com situações semelhantes às que já passamos. Apesar de não ser muito eficiente – pois as mentes podem ter diferenças significativas de uma pessoa para outra -, esse método tem uma importância capital pois ele é o responsável pela empatia que existe entre os seres humanos e, quem sabe, até entre os animais. A empatia é o sentimento que nos coloca na pessoa de outro e que é responsável por evitar que provoquemos dor ou sofrimento a outra pessoa. A empatia com os demais seres humanos (e com outros animais) é o instrumento pelo qual criamos em nossas mentes uma representação da mente de outra pessoa e que nos permite deduzir que tipos de reações ela teria em circunstâncias semelhantes às quais passamos.

A empatia, entretanto está longe de ser uma forma efetiva de conhecer a mente alheia. A outra forma, a de simplesmente descrever o que se passa em nossa cabeça para outra pessoa, também não é eficiente e todos sabem porquê. Mas haveria alguma razão para se pretender ter acesso à mente de outra pessoa? Isso não constituiria a maior de todas as violações de privacidade? Apesar desse grande inconveniente, a ciência tem feito grande esforço para entender os mecanismos da mente, auxiliada por equipamentos de tecnologia sofisticada que podem vasculhar o cérebro das pessoas. Por que isso? Certamente para ajudar no diagnóstico e cura de doenças que têm origem no mau funcionamento do cérebro. É, portanto, um objetivo nobre e se o efeito colateral for o da invasão da privacidade temos que achar meios de lidar com ele.

Mas, deixando esse objetivo de lado, as pessoas têm uma enorme curiosidade em saber como os outros percebem o mundo, pois acho que, no fundo, nos sentimos muito sós ao perceber que o mundo em que vivemos é um mundo criado unicamente pela nossa mente. Apesar da proximidade das pessoas, a verdade é que os seus universos não se tocam e isso é o que nos incomoda. A individualidade é uma coisa boa e ruim ao mesmo tempo. Se por um lado ela garante a nossa identidade, por outro ela nos isola do resto do mundo. Seria possível a existência de um ser que tivesse identidade, mas que, ao mesmo tempo, estivesse integrado de algum modo a todos os seus semelhantes (e por que não também aos não-semelhantes) numa espécie de consciência coletiva? O processo da evolução das espécies já produziu coisas fantásticas, quem sabe ele não poderá levar a mais essa!?

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3 comentários sobre “Nossos universos paralelos

  1. Excelente texto, adorei. Muito obrigada!
    Minhas incertezas são milhares… torço para que a Ciência avance cada vez mais e
    promova uma devassa nas falsas crenças! Acho que a magia da vida está mesmo
    em conseguirmos ser felizes, leves e positivos em qualquer circunstância… neste planeta, o esforço é enorme, mas não vamos esmorecer!

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