Os três amigos

Para Camila, Luís Felipe, Sofia, Laura, Lívia, Alessandro, Davi, Rodrigo, Enrico, João Marcelo, Gustavo, Ana Clara, Isabele

Argo, Xennie e Raddy eram amigos desde pequenininhos. Eles viviam em um planeta muito longe da Terra onde as pessoas eram muito diferentes de nós. Para se ter uma ideia, as crianças daquele planeta conseguiam voar e passavam o tempo todo voando para lá e para cá. Seus pais tinham muita dificuldade para fazê-los descer para terra firme onde tinham que tomar banho, se alimentar e estudar. Que pena, era tão gostoso ficar voando! Mas tinham que obedecer aos pais e desciam do céu, de vez em quando, para fazer as tarefas que eles pediam.

Todos voavam, menos Argo. Ele nasceu com um pequeno problema em seu corpinho que não o permitia voar. Coitado! Todos riam e zombavam dele porque ele não conseguia voar. Chamavam-no de molenga, galinha morta e outros nomes que o deixavam muito triste. Ele lembrava mesmo uma galinha quando tentava voar. Dava um grande impulso, mas caía logo ali. Era motivo de gozação para todos, menos para seus dois amigos, Xennie, uma menina, e Raddy, um menino. Estes eram de fato seus amigos e tão amigos que sempre que podiam tomavam Argo pelas mãos, um de cada lado, e o levavam consigo a voar pelos céus. Era a única maneira de fazer Argo voar. As outras crianças não gostavam de Xennie e Raddy porque eles ajudavam Argo a voar. Mas Xennie e Raddy não se importavam com isso. O mais importante era ajudar o seu amigo Argo a subir aos céus junto com eles.

O tempo foi passando e como Argo ficava no solo a maior parte do tempo ele fazia exercícios e treinava corrida. Treinava tanto que seu corpo foi ficando atlético, com as pernas e braços muito fortes e ágeis. Os outros continuavam a voar e pouco tempo passavam em terra firme. Desciam só para fazer as tarefas que os pais mandavam. E seus corpos não se desenvolviam como o de Argo.

Naquele planeta, só as crianças conseguiam voar. À medida que cresciam seus corpos ficavam mais pesados e voar ficava cada vez mais difícil. Até que, chegada a adolescência, eles não mais conseguiam voar. Era comum comemorar o início da adolescência com uma corrida em que participavam todas as crianças que já não podiam mais voar e, de agora em diante, dedicariam suas vidas às atividades terrenas.

Todos os olhares, agora, estavam voltados para Argo, que podia correr mais do que ninguém e era o grande favorito para vencer a corrida. De um menino perdedor, ele passava, de repente, a ser o mais invejado, pela sua força e agilidade, agora que voar não era a coisa mais importante. Mas Argo não estava tão feliz. “Por que você não está feliz?”, perguntavam seus pais. “Agora ninguém mais pode zombar de você porque você é o mais veloz de todos!”, insistiam os pais de Argo.

Argo não estava feliz porque sabia que seus amigos Xennie e Raddy não iriam se dar bem na corrida e poderiam ser os novos alvos de zombaria daqueles meninos malvados. Mas ele não contava isso aos seus pais porque ele tinha um plano. Inteligente que era, ele pensara em um jeito de ajudar os amigos e retribuir tudo o que fizeram por ele.

Assim, chegado o dia da corrida, todos estavam ansiosos para correr, ainda que ninguém tivesse dúvidas de que Argo seria o vencedor. Os demais só pensavam em chegar em segundo lugar e, se possível, trapacear para que Xennie e Raddy se dessem mal. Um tropeço bem disfarçado e os dois se esborrachariam no chão. Iria ser muito engraçado!

Na linha de partida todos queriam ficar ao lado de Argo, mas ele escolheu ficar entre Xennie e Raddy para poder executar o seu plano. Um, dois e já! Todos saíram correndo e Argo imediatamente segurou as mãos de seus dois amigos, um de cada lado, e acelerou. Corria tão rápido que seus amigos mal conseguiam acompanhá-lo e seus pés quase não tocavam o chão. “É preciso correr mais rápido!”, pensava Argo. E, num esforço supremo, atingiu uma velocidade tão grande que seus amigos, segurando em suas mãos, começaram a flutuar. “Mais rápido, mais rápido!”, pensava Argo. Até que os três se viram flutuando e começaram a voar. Em pouco tempo viam a pista de corrida lá embaixo e todos olhando para cima de boca aberta.

Então era isso! O plano de Argo era correr tão rápido que os seus amigos pudessem decolar como um avião e Argo voar com eles. Voaram muito naquele dia, relembrando os dias passados. O mais importante era que eles poderiam voar novamente, os três juntos, sempre que quisessem. Para isso bastava juntar a velocidade de Argo com a habilidade para planar, de Xennie e Raddy. E os três amigos iriam viver felizes para sempre.

Do vovô tio Caco

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3 comentários sobre “Os três amigos

  1. Caco, você é super avô!
    Vai ter que contar tudo isso para a Camila na hora de dormir.
    Obrigada por alimentar a imaginação e criatividade dos pequenos.

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