Boneca russa

Imagine se nosso mundo não passasse de uma molécula da saliva de um cão de um outro universo,

Imagine se nosso mundo fosse apenas uma simulação em computador feita por outros seres mais evoluídos,

Imagine se o nosso mundo tivesse outras dimensões além das três que conhecemos e nós não fôssemos capazes de percebê-las,

Imagine se a evolução da nossa espécie estivesse sendo controlada por outros seres, assim como fazemos com algumas plantas e animais,

Imagine se o nosso universo estivesse dentro de um buraco negro de outro universo,

Imagine se o tempo que percebemos fluísse tão rápido que a vida inteira de nosso universo durasse apenas alguns segundos no relógio de outro universo,

Solte a imaginação e imagine outras bizarrices deste tipo.

As situações acima são curiosas mas muito pouco plausíveis, ainda que algumas delas sejam, de vez em quando, cogitadas por cientistas sérios como uma possibilidade física a ser considerada. Plausíveis ou não, o fato é que as pessoas são atraídas por histórias que exploram essas situações bizarras.

É curioso notar que, nas situações relacionadas acima, o ser humano fica diminuído diante da imensidão ou da complexidade que o rodeia. (É claro que tomei o cuidado para que isto acontecesse!) Agora, imagine o inverso daquelas situações, isto é, um mundo inteiro contido numa molécula da nossa saliva, ou os personagens criados por nós nos videogames etc. Neste caso, o ser humano fica engrandecido com o seu tamanho ou complexidade diante da pequeneza daquilo que está à sua volta ou em seu interior. É mais ou menos o que sentimos quando olhamos para o imenso cosmo e nos sentimos minúsculos ou, inversamente, quando examinamos algo no microscópio e nos sentimos gigantescos. (A propósito, clique aqui para experimentar os universos micro e macroscópico.)

Para avançar um pouco mais nesta nossa experiência imaginativa visualizem, agora, as situações em ambos os sentidos – por exemplo, um universo que contém outro e que, por sua vez, está contido em outro e assim por diante. Uma boa imagem para essa situação é a da boneca russa (uma boneca dentro de outra boneca, dentro de outra, …). Se fôssemos uma dessas bonecas haveria um equilíbrio dos nossos sensos de superioridade (em relação a tudo o que está contido em nós) e de inferioridade (em relação a tudo o que nos contém). Seria essa forma de visualizar o mundo um remédio para quando nos sentíssemos demasiadamente importantes ou miseravelmente inúteis no nosso dia-a-dia?

Vejam, a ficção também pode ter essa serventia!

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2 comentários sobre “Boneca russa

  1. Caro Caco, Parabéns pela Boneca!! De fato… FICÇÃO é/foi Importantíssimo pra Evolução desde o Sonho de Ícaro (agora virando GEN-H4), Sonhos de Arquimedes, Sonhos de Leonardo, Sonhos de Edison, Sonhos de Santos Dumont, Sonhos de Einstein, Sonhos de Julio Verne, Sonhos(?) do Homem-que-Calculava, do Malbataan, do Vinicius, Tom Jobim, Joãozin 30, Niemeyer, Ziraldo, Mauríco de Sousa… Esses karas que Sonham Acordados é que têm FICÇÃO e muita FRICÇÃO de moléculas cerebrais e sinapses a eletro-choques de Criação…

    Quanto à Dimensão TEMPO… talvez esta seja a nossa “real” Ligação com a Eternidade “virtual”… ou não? Seria uma FICÇÃO eterna… essa Infinitude a que alguns nominam DEUS?

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