Um ensaio sem valor

A Matemática é tão essencial para o entendimento das leis da natureza que chegamos a pensar que as partículas fundamentais que constituem o universo podem não ser quarks, elétrons ou fótons, mas sim, números.

Dentre esses números um deles se destaca como especial: o número zero. Ele não surgiu, como os outros, da finalidade simples e fundamental de permitir a contagem das coisas existentes em nossas vidas. Ele caracteriza, justamente, a ausência dessas coisas. Por isso, ele já nasceu complexado (não complexo, veja bem!).

Se ele significa ausência de qualquer coisa, um número sem valor, ele poderia ser comparado a uma partícula sem massa, como o fóton. Mas o fóton brilha, enquanto que o zero é obscuro e insignificante.

Ou poderia ser equiparado a uma partícula sem carga elétrica, como o nêutron. Mas o nêutron, todos sabem, é rico em sua constituição, pois é feito de quarks que, além de carga elétrica, têm propriedades incríveis como “cor”, spin e outras mais. O que tem o zero? Nada!

Na sua inutilidade, ele é colocado no meio para separar os números positivos dos negativos, sempre excluído de qualquer dessas duas classes. É um número sempre “em cima do muro”, como diriam os seus semelhantes, positivos e negativos.

Nas operações aritméticas ele é sempre discriminado. Nas de adição e subtração tratam-no como “café com leite”. “Pode brincar, mas não interfira em nada!”, dizem seus colegas. Na de multiplicação é sempre o desmancha prazer, pois transforma tudo em nada. Na de divisão, nem se fale, todos fogem dele como o diabo da cruz.

Devido a essa sua inconveniência, até o seu nome é proibido falar, em certos casos. Tanto que, para fugir dele, a Matemática criou o conceito de limite. Ao invés de dizer zero, é melhor dizer “tende a zero”, e assim fica-se livre desse transtorno.

É difícil achar outro número que tenha mais problemas do que o zero. O infinito (∞) tem lá os seus problemas, mas ele é grande demais para se preocupar com eles. O i (raiz quadrada de -1), dos números complexos, é uma aberração da Matemática, mas criaram todo um universo só para ele.

O zero poderia ser considerado um grande perdedor – um excluído entre os seus pares (e ímpares) – se não fosse o fato de que sem ele todo o castelo da Matemática ruiria. Então, quem ri por último?

Disso tudo pode se tirar uma lição importante: Fique longe desse número, principalmente em se tratando de boletim escolar e conta bancária.

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6 comentários sobre “Um ensaio sem valor

  1. Oi Dias,

    Eu ainda acrescento …..ele é um zero a esquerda para dizer que não e nada mesmo…..rsrsrrsrrs….insignificante.
    Abraço

  2. Meus parabéns, caro amigo Caco, continue, que estás no caminho da evolução universal, ampliando todos os conhecimentos da técnica cientifica e tecnológica.

  3. Caco, mais um belo ensaio! Pensei muito sobre o “zero” a partir de seu texto. Passei a imagina-lo como uma página em branco. A fronteira entre o nada e o tudo: o limite. Nada em termos de vazio emocional, ausência de pensamentos, o zen. Tudo em termos de possibilidade. Um ponto de inflexão! Um hiato saudável. Um momento não percebido, porém necessário. A véspera de um parto! Não sei se seu ensaio é tão “sem valor” assim, ou se também já estou delirando. Abraço, Paul

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