Medalha de ouro

Tempo de Olimpíadas, tempo de emoções. Frustração, júbilo, tristeza, alegria, orgulho, decepção, tudo se mistura nos rostos de atletas e espectadores. Mais interessante é notar a reação dos pais junto aos filhos atletas depois do resultado de uma prova. Hoje é possível testemunhar isso graças à ampla cobertura das TVs que estão onipresentes nas arquibancadas e nas residências onde se encontram os pais para registrar as emoções que eles sentem e as palavras trocadas com os filhos heróis, ganhadores ou perdedores. Registram, também, as dedicatórias dos filhos aos pais, a quem sempre querem homenagear antes de qualquer outra pessoa.

É interessante esse compartilhamento de emoções por parte de pais e filhos. Parece que pai, mãe e filho (ou filha) sentem a vitória ou a derrota como se fossem uma única pessoa, uma única mente que exterioriza as mesmas emoções por meio de três corpos diferentes. Eles constituem três pessoas distintas para todos os efeitos práticos. Mas só para os efeitos práticos, porque são indivisíveis ou indistinguíveis em todos os outros aspectos. Vivem uns para os outros e, sem vacilar, qualquer um deles dá a sua vida pelos outros dois. Cada um sente as emoções dos outros como se fossem as suas próprias, numa perfeita manifestação da empatia entre eles. Todos que tiveram a sorte de conviver com seus pais ou filhos conhecem a fundo essa experiência, tão corriqueira e, por isso mesmo, nem sempre percebida e valorizada. É tão intrigante esse enorme grau de empatia que nos perguntamos como esses laços tão fortes teriam se originado.

A origem do vínculo entre mãe e filho parece fácil de entender, uma vez que a primeira carregou o outro dentro de si até o nascimento e continuou a criá-lo perto de si até que ele pudesse viver por conta própria. É natural, portanto, que ambos se sintam como partes de uma só pessoa. Mas e os laços entre pai e filho? Possivelmente eles têm origem no processo de seleção natural, que privilegiou as proles de pais que tinham o sentido de proteção aos filhos mais aguçado. A proteção aos filhos e a confiança destes nos pais tornaram-se qualidades determinantes para a disseminação dos genes que produziram seres com alto grau de empatia entre si. A ausência dessa empatia foi um sinal de fraqueza não perdoado pela natureza que não permitiu que seres sem essa qualidade sobrevivessem à competição pela vida. Por último, o elo entre pai e mãe pode ser explicado também pela seleção natural que, por meio dos instintos de reprodução e preservação da espécie, os uniu e acabou desembocando nesse sentimento chamado de amor.

De volta ao assunto da medalha de ouro, as medalhas não são premiações exclusivas das Olimpíadas; elas são distribuídas aos montes em todas as atividades de nossas vidas, para atletas e não atletas. Eu mesmo tenho uma grande coleção delas conquistadas pelos meus pais, esposa e filhos. Elas não estão guardadas numa sala de troféus, mas num lugar especial da minha mente onde eu posso admirá-las todos os dias. Quando as coisas não estão indo muito bem, pego cada uma delas, lustro-a bem e a reponho no lugar para não esquecer que uma medalha conquistada é para sempre.

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