Sobre Robôs e ETs

(Texto introdutório da Parte 5 – Robôs e alienígenas, do livro a ser publicado com os textos deste blog)

A Inteligência Artificial (IA) teve um rápido desenvolvimento no final do século passado e deu a impressão de que logo seriam construídos robôs que se parecessem com o homem, física e mentalmente. No entanto, ainda estamos longe disso e os robôs que hoje são fabricados, embora sofisticados, realizam apenas tarefas automatizadas, como simples computadores equipados com alguns apêndices curiosos para se movimentar e manusear objetos. É verdade que a máquina já é capaz de derrotar o homem em um jogo de xadrez ou em uma competição de perguntas e respostas. Mas ainda parece longe o dia em que ela será dotada das capacidades cognitivas de um ser humano. Alguns especialistas dizem que o problema central da IA está no fato de a mente humana não utilizar um procedimento algorítmico para funcionar e os robôs, ao contrário, só funcionam nessa base, pelo menos até agora. Falta a eles, dizem, incorporar mecanismos de competição entre as rotinas e procedimentos de julgamento e decisão sob conflito, como acontece em nossas mentes (V. Incógnito, de David Eagleman, Ed. Rocco, 2012, pags 159 – 161). Aí sim, estaríamos diante de um perfeito competidor. Por outro lado, é bem possível que não saibamos construir robôs como humanos justamente porque ainda não sabemos como a mente humana funciona. Evidentemente, as pesquisas nas duas frentes têm que ser levadas adiante.

E a natureza, será que consegue (ou já conseguiu ou conseguirá) replicar em outro planeta o homem pensante que ela produziu aqui? Falo, agora, da vida inteligente fora da Terra. Poderíamos pensar numa competição entre o homem e a natureza para ver quem consegue reproduzir primeiro a inteligência humana, mas seria uma competição muito estranha. Em primeiro lugar, por causa das escalas de tempo e de espaço: a natureza teve muito tempo para lidar com isso e pode até já ter produzido vida inteligente em outro lugar remoto do cosmo. Neste caso, o jogo pode já ter terminado sem que nunca venhamos a saber. Por outro lado, se a natureza ainda não produziu um outro ser inteligente o homem poderá chegar primeiro à IA, porque o trabalho da natureza é muito lento. O homem tem a vantagem de poder copiar algo que já foi feito usando uma escala de tempo muito mais rápida. Mas, por último, há que se considerar que a natureza pode trapacear e interromper a nossa existência aqui se correr o risco de perder a competição.

O que sabemos é que o homem ainda não construiu nenhum robô à sua semelhança, mas não sabemos se a natureza já produziu outro ser vivo inteligente fora da Terra. A famosa equação de Drake (detalhes aqui) é uma fórmula que permite estimar o número de civilizações inteligentes em nossa galáxia com as quais poderemos, um dia, fazer contato. Entretanto, seus parâmetros são tão difíceis de ser estimados que o resultado pode ser zero, dezenas ou centenas. A existência de vida inteligente fora da Terra traz uma outra preocupação: o que poderia resultar de um encontro dos humanos com uma raça alienígena? Pode-se cogitar muita coisa, mas nada em que se pense terá um final previsível.

Diante de tantos desafios que esses assuntos apresentam, é mais fácil e prazeroso (para muitos) pensar neles sob o ângulo da ficção do que o da razão e da ciência. É quase nessa linha que estão os textos desta parte do livro: “Caprica” fala da ideia de dar vida a avatares, mostrada em uma série de TV, e “Deletem os alienígenas” ironiza as mensagens difundidas na internet; mas há discussões mais sérias, como em “Os robôs e a ética” e em “O alienígena e o vírus da gripe”. Outros textos estão numa zona intermediária entre realidade e ficção, como “Homens de verde”, que fala de uma possível raça alienígena em total integração com a natureza, e “O robô que sonhava”, que é um pequeno ensaio sobre a evolução e o livre arbítrio. As dúvidas de um encontro com alienígenas estão em “Guerra dos mundos” e “Afinal, os ETs são mocinhos ou bandidos?”. O texto “ETs não são de carne e osso” junta os dois assuntos: robôs e ETs. Outros…bem, é melhor não contar tudo o que vem pela frente.

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