Sobre a natureza humana

         (Este texto será uma introdução à Parte 4 – Natureza Humana – do livro a ser publicado com os textos do Blog)

         A parte anterior tratou da essência da natureza humana, das entidades (cérebro, mente e consciência) que permitem ao homem conhecer a si próprio e o mundo em que vive. Esta parte trata das formas como a natureza humana se manifesta e afeta tudo o que cerca o homem. Ao contrário do que acontece nas outras partes do livro, nesta os textos não são motivados, em sua maioria, por notícias da área científica. Isto não é fortuito mas está atrelado ao fato de que os avanços no campo das ciências sociais têm sido bem mais lentos do que no das chamadas ciências duras. É mais raro ver divulgado um avanço científico em áreas sociais do que em áreas como física, astrofísica, biologia ou outra na qual o método quantitativo predomina sobre o qualitativo. As ciências sociais lidam com o imponderável da natureza humana, o que torna mais difícil o avanço do conhecimento nessa área. Porém, a razão para esse menor desempenho das ciências sociais pode ser outra – como especula o texto que virá – de título “Energia escura e progresso” – que vincula essa limitação das ciências sociais ao seu menor poder de atração sobre as grandes mentes, o que dificulta a procura de explicações científicas para os complexos problemas da sociedade.

          Seja isto correto ou não, o fato é que essa tal natureza humana é mesmo instigante. É difícil dizer qual das suas características é a mais importante ou a mais pronunciada. A curiosidade que advém dela é a origem de todo o conhecimento que o ser humano acumulou. Por sua vez, a empatia que demonstramos com os semelhantes e com os outros animais é uma qualidade que nos resgatou da condição de seres selvagens das eras passadas. A nossa capacidade de introspecção permitiu o desenvolvimento das artes, das ciências e das crenças e religiões. E a busca da felicidade é a força motriz que nos impede de admitir que certos obstáculos sejam intransponíveis. Todas são manifestações inequívocas da natureza humana e estão presentes de forma positiva em tudo que fazemos.

          Entretanto, às vezes parece que esse arsenal não é suficiente para dominar alguns dos nossos instintos e, então, fazemos tudo errado: somos egoístas, preconceituosos, magoamos pessoas, matamos, nos omitimos diante dos problemas, somos sedentários, preguiçosos e descuidados com o meio-ambiente. Os mais pessimistas dirão que isso tudo não constitui um desvio de conduta, mas sim uma parte inerente e importante da natureza humana. Os otimistas, por sua vez, acreditarão que o homem de “O produto final da criação” – último texto desta parte – não é apenas uma miragem, mas uma possibilidade concreta. Quem sabe?

           Os textos desta parte refletem essa alternância entre otimismo e pessimismo, ora acreditando na natureza humana, ora perdendo a esperança num final feliz. Aliás, isso é bem característico dessa mesma natureza humana. Escolhi para iniciar e terminar esta parte dois textos positivos, não tanto por uma convicção pessoal de que o homem seja intrinsecamente bom, mas simplesmente por torcer a favor disso.

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