A mágica da ciência

         Na internet pode-se ver um filme muito bonito sobre a natureza, tendo como fundo musical a canção What a wonderful world. São imagens impressionantes da fauna e da flora, de recursos naturais, com a Lua ao fundo e tudo o mais, que impressionam qualquer pessoa e a fazem pensar: “Que mundo fantástico este no qual vivemos”.

        Ao ver o filme fico imaginando se essas cenas têm o mesmo impacto para os cientistas, que conhecem profundamente (ou, pelo menos, sob um aspecto formal pouco acessível aos leigos) os mecanismos que estão por trás do funcionamento do mundo. Seria, para eles, como observar algo através de um equipamento de raios-X, a beleza externa embaçada pela feia realidade do conteúdo interno? Ou uma espécie de decepção ao ver os grandes mistérios explicados por soluções simples da natureza, como a frustração que sentimos ao descobrir os truques banais por trás das mágicas mais engenhosas?

        É evidente que cada indivíduo, seja ele cientista ou não, tem a sua própria percepção das coisas. Mas, procurando generalizar, é bem provável que os cientistas sintam o mesmo fascínio que os demais indivíduos ao ver cenas como as mencionadas. Ou, quem sabe, um fascínio maior, por ver nas explicações da ciência um mundo de surpreendente ordem, que segue leis naturais e universais que tornam os fenômenos previsíveis, quando tudo poderia ser caos e imprevisibilidade.

         Na verdade não é difícil, para nós leigos, deduzir o que se passa na cabeça dos cientistas porque já assimilamos muitos conhecimentos que, pela divulgação exaustiva, tornaram-se de domínio popular. Lembro-me de ter lido um livro do biólogo Richard Dawkins, intitulado “Unweaving the rainbow”, em que ele explica a física por trás dos arco-íris. Depois de entender os arco-íris passei a observá-los de forma diferente e, acho, com mais interesse.

        Estou falando das ciências naturais, mas pode ser igual em qualquer outro ramo da ciência. Na biologia, o biólogo vê um ser vivo por meio das intrincadas interações de seus órgãos internos, muitas ainda misteriosas, mas a maioria delas sobejamente entendidas e, com auxílio dessa visão privilegiada, talvez dê mais valor e demonstre mais fascínio por essa entidade chamada vida. Nas ciências sociais, o cientista enxerga comunidades inteiras por meio de suas motivações, culturas e costumes e conseguem ter delas uma avaliação muito melhor do que a que temos, ou seja, a de simples aglomerados de indivíduos diferentes. É bem provável que esses sociólogos tenham mais razões do que os leigos para se impressionar com essas massas de indivíduos.

        Enfim, o conhecimento, tanto quanto o mistério, tem o poder de fascinar as pessoas. Tudo fica ainda mais interessante quando um mistério vira conhecimento que, por sua vez, revela outros mistérios, num ciclo aparentemente sem fim. Essa parece ser a mágica produzida pela ciência.

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