Descoberta vida inteligente em outro planeta

Ao ler um artigo sobre nova forma de detecção de vida em outro planeta, baseada no que os cientistas chamam de espectropolarimetria (leia aqui), pensei nas reações que uma notícia de descoberta de vida inteligente fora da Terra poderia provocar na população. Este assunto não é novo neste Blog, mas eu gostaria de explorá-lo mais um pouco.

Acho que as reações seriam as mais variadas possíveis, diferentes para cada um dos estratos da população. O cidadão comum pensaria logo nos aspectos físicos de um ser extraterrestre. Eles seriam parecidos conosco? Qual a cor da sua pele? Seriam bípedes? Como se comunicariam entre si? Como se reproduziriam?

Os cientistas ficariam curiosos em saber se eles teriam desenvolvido algo parecido com a nossa matemática, se teriam descoberto leis da natureza diferentes das que conhecemos, se teriam um código genético parecido com o nosso. Os tecnólogos teriam uma imensa curiosidade em conhecer as tecnologias alienígenas e saber se utilizam materiais desconhecidos por nós.

Os artistas gostariam de saber que tipo de arte eles teriam desenvolvido: música, pintura, literatura ou outras que não conhecemos? Será que apreciaríamos, também, as suas obras de arte? Os religiosos se preocupariam, em primeiro lugar, com a fé alienígena. Eles acreditariam em Deus? Que tipos de crenças professariam? Os militares, ressabiados, questionariam se eles seriam confiáveis ou constituiriam uma ameaça para nós terráqueos.

Enfim, cada classe de indivíduo teria o seu próprio roteiro para entrevistar os ilustres desconhecidos. (Amigável ou não, seria prudente que a entrevista fosse conduzida com as partes bem protegidas uma da outra, pois nunca se sabe o que pode acontecer.)

Todavia, acho que a maioria das pessoas pensaria nas implicações mais profundas que uma notícia desse tipo poderia ter em nossas vidas. Hoje nos sentimos sozinhos no universo e isso nos dá a sensação de sermos especiais, os guardiões de todo o cosmo. Entretanto, ao mesmo tempo, reconhecemos a nossa fragilidade diante da natureza e constatamos que não temos condições sequer de tomar conta do nosso planeta. Somos reis que não têm força para reinar, comandantes sem exército, verdadeiros Dom Quixotes. O apocalipse nos atormenta e nos faz pensar que o nosso reinado será breve e sem sentido. Apesar disso, resistimos e nos fortalecemos com a ideia de que somos a semente que irá cultivar todo o cosmo.

A notícia de que não estamos sozinhos certamente irá mudar essa nossa visão do mundo. Se por um lado deixaremos de ser especiais, por outro ficaremos mais seguros da continuidade e teremos maior confiança no plano traçado para nós. Concluiremos que, afinal, a vida não é um fenômeno tão improvável e que ela pode estar espalhada por todo o universo.

É possível que essa notícia um dia venha a ser verdadeira e provoque as reações mencionadas. Afinal, a ideia de que somos a semente que vai se alastrar pelo cosmo seria um plano muito arriscado. A qualquer momento ela poderia morrer e fazer sucumbir o plano. Ninguém que quisesse gramar um estádio acreditaria que uma única muda pudesse fazer o serviço.

É muita pretensão do ser humano querer entender um plano que está além da sua compreensão? Pode ser, mas a culpa está no próprio plano que nos dotou dessa curiosidade sem a qual ele não teria qualquer chance de sucesso.

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