Vida após a morte

A edição 2256 da revista VEJA traz uma excelente reportagem sobre o tema “vida após a morte”. Nela, o autor André Petry fala sobre recentes estudos em neurologia que explicam as experiências de quase morte que são narradas por pessoas que passaram por essa situação. A reportagem analisa o assunto sob um ângulo mais amplo que é a nossa predisposição para a espiritualidade. Ela menciona o trabalho do biólogo Dean Hamer que o convenceu que essa predisposição é genética, ou seja, um instinto. O biólogo vai além quando diz que “…[esse instinto] não seria um efeito colateral da nossa história evolucionária, mas uma vantagem adaptativa”. A reportagem ainda cita outros cientistas que concordam com a origem genética da nossa espiritualidade.

Embora a hipótese da origem genética da espiritualidade seja acatada por grande parte dos cientistas, o que a reportagem não cita é a posição dos cientistas que propõem que ela (a espiritualidade) não teria sido uma vantagem adaptativa, mas sim um efeito colateral de outra manifestação genética. É o caso do biólogo Richard Dawkins, que sugere em seu livro “The God delusion” (assunto já tratado neste Blog) que a religiosidade é um subproduto de outro traço genético, este sim com vantagem evolucionária. Trata-se da capacidade de as crianças confiarem nos mais velhos. Segundo Dawkins, essa característica teria sido importante para a sobrevivência das crianças em um ambiente hostil, justamente porque seguir os conselhos dos mais velhos significava evitar situações de risco para a sua vida. Assim, a predisposição de seguir os mais velhos teria sido a porta de entrada para a criança assimilar a religiosidade ou crenças sobrenaturais que lhe eram transmitidas.

Esta questão ainda não está resolvida. E muito menos aquela que trata da vida após a morte, que é o tema desta discussão. Se, por um lado, o da vida, os cientistas conseguem explicar as experiências de quase morte, por outro lado, o da morte, a ciência está impotente para fazer qualquer afirmação. Embora instigante, este assunto é daqueles que estão fadados a ficar sem explicação. Cada um tem a sua própria convicção e vive a vida com base nela. Para exprimir a controvérsia que este assunto causa vou utilizar a seguinte frase:

“Se existe vida após a morte, só saberão aqueles que sobreviverem.”

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7 comentários sobre “Vida após a morte

  1. Dias

    Não li o artigo da Veja mas parece que estão usando a argumentação para substituir a pesquisa científica verdadeira. Essa questão de vida após a morte não pode ser encarada na base do que a pessoa acredita pura e simplesmente. Com uma boa argumentação, baseada em algumas evidências científicas, pode-se “provar” qualquer crença. A existência dos espíritos pode ser comprovada de forma científica, basta sair em campo.

    Existe vida após a morte e todos nós iremos sobreviver a morte do corpo físico. Proponho até que o Ary já vá planejando um encontro da turma para 2071. Com certeza muita gente vai aparecer.

    É isso
    Ayrton

  2. Cristo foi bem claro:
    Quem cre será salvo. Quem não cre JÀ está condenado.
    ou seja a vida que continua é a vida espiritual que é formada pela nossa crença ao longo de nossa vida atual e assim os que não creem não terão continuidade. E nem precisam dela.

    eng. Francisco Leme Galvão

    • Nem a existência do seu Cristo foi comprovada, e você me vem com sua arrogância religiosa pra cima de nós?
      Ler a Bíblia (e a entender) foi um dos fatores determinantes que me tornaram agnóstico. Será que você já a leu completamente?
      Sua graduação em engenharia não diz nada aqui, há diversos engenheiros crentes e supersticiosos.

  3. Achei ótima esta frase – “se existe vida após a morte, só saberão aqueles que sobreviverem” …como NINGUEM voltou para contar….
    Muito bom o estudo “predisposição genetica para a espiritualidade” isto explica muitos mitos, lendas, ´crendices…que todos queremos acreditar…mas a ciencia nunca conseguiu explicar… gostei do artigo…abs alice

  4. Caco, pode ser que não haja realmente uma explicação, justamente por não caber a nós. Pelo lado espiritual, o fato que me move e me dá segurança em cumprir meu itinerário é que o “ser” é eterno. O existir consiste de uma alternância entre o material e o espiritual (encarnado/desencarnado). O uno e o verso. Pelo lado científico, somos subprodutos da grande explosão e acredito que nossas inter-relações são bem mais complexas do que apenas uma predisposição genética. Tudo e todos somos energia (material/imaterial). É interessante ver os cientistas tentando justificar a nossa própria insignificância. Mas também é válido, pois nos ajuda a passar o tempo e manter a mente em atividade e talvez seja uma das nossas atribuições terenas. Vou repetir uma citação anterior que cabe nesta reflexão: “Deus é aquilo que me falta para compreender o que ainda não compreendo” – Raul Seixas. Forte abraço!!!

    • Paul, Oportuno o seu comentário. É interessante notar que as duas partes – a científica e a espiritual – envidam todos os esforços para evitar que sejamos vítimas de um “grande engano”. Cada uma a seu modo e cada uma achando que nada seria mais prejudicial à natureza humana do que ser iludida pelo “grande engano”. Acho essa disputa instigante e salutar desde que ela não seja travada com intolerâncias e preconceitos pelas partes, como aconteceu no passado. Como você falou, isso ajuda a manter a mente em atividade e, acrescento, em processo de evolução.
      Grande abraço.
      Caco

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