Homens de verde

Certa vez, Arthur Clarke, o famoso escritor de ficção científica – autor de 2001: uma odisseia no espaço – disse que “qualquer tecnologia suficientemente avançada pode ser confundida com mágica”. Agora, o também escritor de ficção científica, Karl Schroeder, dá uma nova versão à essa ideia dizendo que “uma inteligência alienígena muito evoluída pode ser confundida com a própria natureza”. Com isso, ele quer dizer que uma espécie alienígena inteligente poderia ser tão ecologicamente responsável que não deixaria os rastros comuns ao uso de tecnologias, como resíduos tóxicos ou qualquer tipo de radiação, nocivo ou não, ou qualquer outro rastro que denunciasse a ação de uma raça inteligente na natureza.

Essa ideia está comentada em um artigo no site Universe Today (leia aqui), que fala, também, das implicações que ela pode ter nos programas de busca por vida inteligente em outros planetas, uma vez que seres inteligentes com essas características não poderiam ser detectados por programas – como o SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) -, que buscam por sinais de radiofrequência vindos do espaço.

Essa idéia de que os alienígenas inteligentes são seres puramente ecológicos entristece e anima os terráqueos, ao mesmo tempo. Ela nos faz lembrar o filme Avatar, em que os seres vivos estão em completa harmonia com o resto da natureza, em contraposição com o que acontece aqui na Terra. Se por um lado ela nos faz lembrar o nosso fracasso em tratar a natureza, por outro lado nos dá esperança de, algum dia, podermos ser como os nossos amigos alienígenas, totalmente integrados com o planeta.

É difícil imaginar como a tecnologia pode se harmonizar com a natureza – no filme Avatar, os nativos do planeta pareciam não dispor de qualquer tecnologia sofisticada – mas, como disse Arthur Clarke, uma tecnologia avançada pode não se distinguir de pura mágica. É possível que para chegar ao estágio de civilização green – “go green” é a expressão em inglês para o estilo de vida que respeita a natureza – tenhamos que passar por vários estágios intermediários de quase-extinção e renovação da espécie, muito traumáticos (especialmente os de quase-extinção, óbvio). Imagino que esses estágios possam ter duração de milhões de anos, enquanto que a vida de um planeta é medida em bilhões de anos. Portanto, o nosso planeta é suficientemente jovem para sobreviver a essas passagens e continuar como um lugar habitável e acolhedor.

O curioso disto tudo é que nós poderíamos estar completamente certos quando falávamos de homenzinhos verdes vindos do espaço, nas antigas histórias de ficção científica. Mais curioso, ainda, é que esses homens verdes poderão ser nossos próprios descendentes.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s