Porto seguro

Já sugeri neste blog a leitura de um artigo sobre um método desenvolvido por cientistas que permite reproduzir, com auxílio do mapeamento do córtex visual do indivíduo, as imagens que ele está vendo num certo momento (leia aqui). Agora, um processo semelhante foi aplicado com certo sucesso ao córtex auditivo para saber o que um indivíduo está escutando (leia aqui). É claro que esses procedimentos ainda são rudimentares, mas já descortinam imensas possibilidades de tratamento de doenças que afetam o cérebro ou a mente das pessoas.

A reação imediata das pessoas quando tomam conhecimento dessas pesquisas é de preocupação quanto ao uso indevido das técnicas. A ficção científica é pródiga em histórias de experimentos mentais em humanos que acabam em tragédia ou, no mínimo, em violação da privacidade alheia.

Todavia, não é este o enfoque do meu comentário. Estou interessado em falar sobre os limites científicos das pesquisas dessa natureza. Até onde será possível reproduzir, em meio externo, o que se passa na cabeça das pessoas? Será possível, algum dia, saber o que uma pessoa está pensando? Que tipo exato de raciocínio ela estará usando para resolver um certo problema? Que cenas estarão se desenrolando em sua mente?

As pesquisas mencionadas começaram pelos aspectos aparentemente menos complexos que consistem em reproduzir o que os sentidos do indivíduo – no caso, a visão e a audição – captam do mundo exterior. Mais complexo será reproduzir externamente aqueles processos mentais internos, como os citados acima. A complexidade dos nossos processos cognitivos é bem ilustrada no livro “Do que é feito o pensamento”, de Steven Pinker, já comentado neste blog (leia aqui).

Para reproduzir as atividades mentais do indivíduo é necessário, antes, entendê-las e parece que a ciência ainda está longe disso. O processo pelo qual a nossa consciência se manifesta é, ainda, um mistério para a ciência. Acalmem-se, portanto, aqueles que estão preocupados com a invasão de privacidade; as nossas mentes continuarão ainda por muito tempo – quem sabe, para sempre – a ser o nosso refúgio mais seguro. O que, infelizmente, é uma má notícia para aqueles acometidos de doenças mentais graves.

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