Os sete pecados das capitais

Todos sabem que, de acordo com a religião católica, os sete pecados capitais são: gula, avareza, inveja, preguiça, ira, luxúria e soberba. Hoje esta lista já está um pouco modificada para levar em conta os hábitos da sociedade moderna, mas isto não vem ao caso neste instante. Não é de estranhar que esses pecados sejam as causas dos grandes males que afligem a sociedade, caso contrário eles não seriam chamados de pecados. Mas é curioso notar como eles têm uma relação direta com os problemas maiores que afetam as capitais: saúde (falta de), corrupção, trânsito caótico, analfabetismo, violência, superpopulação, exclusão social.

A gula é manifestada pelo desejo incontido de comer e beber até saciar-se completamente. Isto não pode fazer bem à saúde e de fato não faz. Ela produz cidadãos obesos e alcoólatras que vão superlotar os hospitais com os sintomas das doenças que decorrem dessas características.

A avareza é o apego desmedido ao dinheiro e aos bens materiais. Para satisfazer esse desejo, o indivíduo faz qualquer coisa e, hoje, parece que o caminho mais rápido para o enriquecimento é a corrupção. Seus adeptos estão infiltrados em todas as instituições, sejam elas políticas, jurídicas, policiais, religiosas ou sociais.

A inveja é o mal-estar diante do sucesso alheio. O vizinho tem um carro, eu também preciso de um. Se ele tem dois, eu não posso ficar atrás. Foi assim que começaram os grandes congestionamentos que transformaram as capitais em uma coleção de pontos incomunicáveis por via terrestre.

A preguiça é o convite a não fazer nada e ela se manifesta cedo em nossas vidas. Estudar? É muito cansativo. Todos sabem que o uso da mente é uma das atividades que mais consomem energia do nosso organismo. Vamos poupá-la fazendo coisas mais simples. O resultado disto está aí nas estatísticas de analfabetismo da população.

A ira é o resultado da intolerância descontrolada que gera raiva e ódio. Qualquer ato falho de um indivíduo desperta a ira em outros levando a atos de violência. Essa violência está presente no trânsito, nos estádios de futebol, nos locais de entretenimento e até mesmo nas residências.

A luxúria é a força exercida pela sensualidade. O sexo é o principal agente do processo evolutivo e, livres da ação de predadores naturais, as espécies produzem superpopulações. As cidades não abrigam predadores dos seres humanos, logo…

A soberba significa arrogância, presunção. Ela é o inimigo número um da solidariedade, a qualidade que deveria predominar numa sociedade bem estabelecida. É a soberba que separa ricos de pobres, vencedores de perdedores. É ela que provoca a exclusão social das minorias, fazendo vistas grossas para as necessidades dos miseráveis e estimulando o consumo de drogas pelas classes menos favorecidas.

Evidentemente existe uma relação muito mais complexa entre o mau comportamento dos cidadãos e os problemas das capitais, do que a sugerida neste texto. Todavia, por mais complexa que ela seja é sempre bom lembrar que os problemas são fruto única e exclusivamente desse nosso mau comportamento e a solução está, portanto, ao nosso alcance. A verdade é que simplesmente categorizar esse mau comportamento como pecado capital não tem sido suficiente.

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5 comentários sobre “Os sete pecados das capitais

  1. Caro Oscar, como tem passado?
    Sinceramente, gostaria de conhecer o seu lado irônico, humorístico mesmo, propondo que escreva um texto, mas que faça apologia aos sete pecados capitais. Afinal, do jeito que o mundo se encontra, eles já não mais são considerados com o rigor de antigamente. Entendo perfeitamente que, textos deste tipo não estão alinhados com os objetivos de seu blog mas, mesmo assim, tomei a liberdade de sugerir algo nesta linha, pois tenho a mais absoluta certeza de que ficaria muito bom, tanto quanto este que acabei de ler.

    Abraços,
    José

  2. Caco, como diria um professor de história geral que tive no cursinho: “o mundo não está mudando, apenas voltando a ser como era”. O que vivemos, em verdade, são ciclos de aprendizagem e crescimento. Haverá um momento de ruptura, certamente. Poderemos não presenciá-lo, mas haverá. As leis que organizam a sociedade e tem seu princípio na Grécia, em Roma ou qualquer outro lugar, mesmo sob o ponto de vista religioso, serviram a uma sociedade infinitamente menor em termos populacionais, de capacidade intelectual mais limitada em razão das dificuldades de difusão, portanto, mais “controlável”. Não sei se se aplicam à nossa sociedade atual. Existe uma inversão de valores mediados pelos veículos de comunicação que exploram as mazelas humanas, expõem o homem como um espetáculo bizzaro, dentre outros desserviços e dentro de uma suposta naturalidade. A religião, enquanto religação com o divino, também passou a operar como “meio de vida” para uma infinidade de pseudos porta-vozes de Deus. O que fazer, então? Eis aqui o maior dos nossos desafios! Como lidar com tantos paradoxos? Como manter-se íntegro numa sociedade panóptica? E nem falei sobre os sete pecados, ou falei? Enquanto busco respostas tenho refletido sobre o que disse o poeta e músico Walter Franco: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Parabéns pelo texto!!!

  3. Caco
    Texto muito interessante e bem escrito por sinal…Penso que hoje tem outros pecados que estão acabando com a nossa sociedade atual..o consumismo a qualquer custo imposto por essa economia globalizada , onde o que conta é só o ter e não o conviver, já que a informatica tb isola as pessoas…
    Caminhamos para consumir todos os recursos naturais..e será que há solução , para esse consumismo desenfreado??? vamos todos para a China…onde uma criança foi
    atropelada e 18 pessoas assistiram o ocorrido e ninguem a socorreu….Valha me Deus…

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