Orotour

Este texto não é recomendado para os desavisados, pois contém trechos de solipsismo explícito. A esses é recomendado ler antes Gênese e Granjota.

No dia 08 de dezembro vamos iniciar as comemorações de 40 anos de formados (ou deformados, como queiram) da Turma71 do ITA, no hotel Orotour, em Campos do Jordão. É mais uma das histórias que a minha mente cria, mas desta vez estou pensando em um roteiro menos convencional. Já planejei os eventos principais, quem vai comparecer, quem vai faltar, mas deixei algumas pendências para improvisar na última hora. Tinha pensado em incluir a todos e idealizar uma festa de arromba em que todos se sentissem plenamente felizes. Acabei decidindo que essa não seria a melhor opção. Não teria muita graça. Seria mais uma daquelas histórias que invento e que caem no esquecimento logo depois. Quero alguma coisa nova, radical e inesquecível. Então, tomei a decisão de não planejar alguns detalhes e improvisá-los na última hora. Isto dará um toque de realidade a esta história virtual. Far-me-á acreditar que os personagens têm vida própria, que podem tomar decisões, que são amigos de carne e osso.

Quero um final parecido com o da história do Pinóquio (também de minha autoria, claro), mas real. Para isso, basta constatar que esses amigos virtuais demonstraram bravura e lealdade (como Pinóquio) em todas as histórias de que participaram. Se eu me concentrar nisso como um monge tibetano, ao final do encontro todos os personagens da Turma71 deixarão de ser virtuais, indivíduos existentes apenas em minha imaginação, para se transformar em pessoas de carne e osso. Sairemos de lá, não apenas como um único indivíduo e suas fantasias, mas como um grupo de amigos, aqueles dos meus sonhos, só que reais. A partir de então terei a companhia deles para dividir comigo a tarefa de imaginar a continuação deste mundo que criei até aqui. Uma continuação que seja muito melhor do que a história que tem se desenrolado até agora. Admito que não tenha sido capaz de imaginar um mundo minimamente justo, pacífico e alegre. Eles terão plena capacidade de me ajudar, pois são grandes pessoas. Afinal, estudaram em uma excelente escola.

Que grande sacada esta minha, a de inventar a amizade! O amigo nos ajuda a carregar o fardo da vida, como se diminuísse a força da gravidade; espanta a nossa solidão, como se multiplicasse o nosso “eu”; alivia a nossa tristeza, como se a roubasse para si; absolve-nos da culpa como se fosse um juiz todo-poderoso; discorda, corrige e orienta sem nos apequenar. A amizade, enfim, completa a natureza humana igualando-a ao divino. Com ela é possível construir um mundo de verdade. Estou muito orgulhoso dessa invenção. 

___________                                                                                                                                       Oops!…de repente entendi qual é o plano divino para o mundo! Por que não havia pensado nisto antes? Está tão claro: Deus, no seu isolamento, sentindo falta de amigos, criou este mundo para produzi-los. Criador e criaturas juntam-se por meio da amizade para formar a “unidade”. Essa unidade é como uma imensa obra em que Deus é a fundação e as suas criaturas são os tijolos que vão sendo sobrepostos numa construção infinita. Então, Deus é único, mas dele fazem parte também as suas criaturas. É um deus multifacetado. Porém, só a unidade é completa. Ninguém isoladamente pode ser completo. Nem mesmo Deus. Nem mesmo Ele conseguiria “viver” sozinho. Até Ele precisa de amigos.

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Um comentário sobre “Orotour

  1. Amigo Oscar,
    Agora vc me fez lembrar do único discurso que valeu ouvir, numa formatura da FVG, de bacharelandos e mestres/doutores tão-bem, e foi dokara representando a turma, e disse das amizades de/entre colegas, de/entre mestres, e entre alunos e mestres, e… “o que é importante para os formandos todos daqui pra frente, é que cada um de nós terá que ser o tijolinho da construção do futuro edifício chamado Brasil forte e justo, e destarte, participar da grande obra Dele”.
    Amigo, obrigado por você me fazer lembrar desse feliz discurso, o único que valeu ter ouvido naquele evento, e foi do representante dos formandos, dum rapaz escuro que me pareceu pobre, mas tinha a força na voz, e, todos da platéia gostaram de ouvi-lo.
    Um forte abraço.
    Masahiro

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