Fim do reinado humano

Com a estréia da nova versão do filme “O planeta dos macacos” as pessoas  (ou, pelo menos, os cinéfilos) deparam-se novamente com a perspectiva de os humanos virem a perder o posto de espécie dominante do planeta. Montados em nossa arrogância achamos que isso nunca irá acontecer e assistimos ao filme com um misto de curiosidade e simpatia pelos símios sem, no entanto, achar que a história tenha qualquer chance de se tornar real. É provável que estejamos certos. Mas só com relação ao filme!

A história dos seres vivos já mostrou pelo menos uma grande reviravolta – aquela da extinção dos dinossauros e a ascendência dos mamíferos – e pode nos surpreender com outras. As ameaças à nossa sobrevivência, como espécie, são muitas e estão diariamente no noticiário preocupando a todos, sejam cidadãos comuns, governantes ou cientistas. Catástrofes podem acontecer de forma rápida ou lenta e de causas diversas: desastres naturais, guerras, mudanças climáticas, doenças, contaminação do ambiente. Por nossa própria culpa ou não. É difícil prever.

O nosso status de seres inteligentes não nos dá muita vantagem em relação às outras espécies e não nos garante necessariamente uma proteção divina, como se fôssemos a espécie escolhida. Estamos todos no mesmo barco e talvez nem sejamos a espécie melhor preparada para as dificuldades que possam vir. Dependendo do que venha a acontecer, os organismos microscópicos, os seres aquáticos, os seres das profundezas oceânicas podem se dar melhor em matéria de sobrevivência e preservação da vida no planeta.

Se apenas os microorganismos sobreviverem, será um recomeço do processo que resultou no Homo sapiens e o resultado futuro desse novo recomeço pode ser uma espécie inteligente totalmente diferente da nossa, em um ambiente que pode não lembrar em nada este em que vivemos. Isso levaria mais alguns bilhões de anos para acontecer, mas se o resultado fosse um novo ser, mais aprimorado do que nós, o planeta não teria perdido tempo por esperar.

Por outro lado, o meio aquático poderia acabar sendo o único em condições de abrigar vida. Neste caso, os sobreviventes seriam seres aquáticos e o processo de evolução não teria que ser retomado do início, mas de um ponto já avançado. Talvez de um ponto onde a inteligência já exista. (Não costumamos ouvir que os golfinhos são os animais mais inteligentes depois do homem?) Neste cenário, a futura espécie dominante estaria limitada pelo seu habitat (água), mas nem por isso estaria impedida de florescer como uma civilização inteligente e, por que não, tecnológica. (Seria difícil ver um peixe operando um tablet, mas isso não quer dizer que outros dispositivos não poderiam ser desenvolvidos no meio aquoso.)

Fantasias à parte, a mudança de inquilinos no planeta Terra não é uma ideia absurda. No entanto, para aqueles que acreditam em Deus e acham que o homem foi criado por ele para realizar os seus desígnios neste mundo, esta discussão pode ser considerada uma blasfêmia. Visto por outro ângulo, entretanto, eles podem ser portadores de um imenso preconceito de que somos a criação última e acabada de Deus, a espécie escolhida. Ainda que a nossa espécie não seja extinta, como especulado acima, ela pode muito bem ser apenas uma transição para uma espécie futura – que nem mesmo mantenha a designação de Homo – esta sim, o produto final e acabado. E o que dizer, então, da possibilidade de haver vida inteligente em outros planetas? Portanto, não há razão alguma para acharmos que somos os escolhidos. E ainda que sejamos, o fato de nos comportarmos como tal em nada ajuda na nossa luta por uma vida melhor.

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