O produto final da criação

O homem vangloria-se de sua superioridade diante das outras espécies e tem muitas razões para comportar-se assim. Dominamos o planeta e o moldamos para atender aos nossos interesses e subjugamos as outras espécies e as mantemos em cativeiro para nosso sustento ou prazer. Não é pouca coisa. Apesar disso (ou exatamente por isso) estamos longe de ser uma criação perfeita. O sofrimento, as injustiças e os desperdícios correm soltos e nos fazem pensar que não podemos ser o produto final da criação. Afinal de contas, o homem existe há muito pouco tempo no calendário da vida e não há razão para acreditar que a evolução parou em nós. Mas, se não somos o produto final, como seria, então, a obra acabada? Que características teria esse ser último que seriam tão diferentes das características do homem atual? É muito difícil especular sobre isto, mas aqui vão algumas ideias.

O ser ideal não terá a capacidade de reconhecer diferenças físicas em seus semelhantes, eliminando de vez todos os preconceitos de raça, estética e outros ligados ao aspecto físico. A ideia não é tão absurda: sabe-se que algumas pessoas acometidas de uma doença rara perdem a capacidade de reconhecer faces. A evolução pode tornar essa mutação uma característica positiva no futuro. Em contrapartida, esse ser ideal terá um aguçado senso de diferenciar caráter. O caráter será, então, o único cartão de visitas de cada indivíduo. Por meio dele se buscará o amigo, a esposa, o marido.

O ser ideal não terá uma natureza predatória e, portanto, saberá cuidar melhor do ambiente que o cerca. Os atuais movimentos em prol de uma vida mais harmônica com a natureza fazem acreditar que haverá uma mudança acentuada nos hábitos dos seres humanos que levará a um indivíduo mais cônscio da sua responsabilidade com a preservação do planeta. Em contrapartida, esse ser terá um aguçado senso de beleza, que o proverá de uma capacidade inimaginável de identificar e sentir prazer com cores, sons e formas, elevando as artes a um patamar olímpico.

O ser ideal não terá o sentimento de posse, causador da ambição exacerbada que leva às grandes disputas. Seu acervo será estritamente intelectual e indisputável. Em contrapartida, ele terá a capacidade de identificar-se como parte de um todo, pelo qual envidará esforços para manter e aprimorar. Os movimentos atuais para a formação de grandes comunidades (a européia, por exemplo), ainda insipientes para esse propósito, dão certa esperança de que essa característica seja alcançável.

Por último, e mais importante, o ser ideal perderá a sua individualidade na forma como a entendemos hoje – um indivíduo especial entre outros indivíduos – que tanto estimula o egoísmo. Em contrapartida, ele terá um aguçado sentimento de empatia com os seus semelhantes, à maneira que temos hoje com os nossos familiares próximos. A forte necessidade de união para lidar com as ameaças constantes que pairam sobre a humanidade e a convivência prolongada com o sofrimento alheio serão os vetores para a transformação do indivíduo egoísta num ser comunitário.

É verdade que essas especulações parecem-se mais com aspirações do que com previsões. Mas não se esqueçam que o homem tornou-se um agente no processo da evolução e, assim, uma simples aspiração pode ser suficiente para dar início a uma grande transformação.

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