O universo, a matemática e o livre arbítrio

A matemática e o livre arbítrio são dois temas recorrentes neste blog. Não é sem motivo: eles têm todos os elementos de mistério e fascínio que atraem a atenção daqueles que se interessam pela explicação do mundo em que vivemos. Foi publicado recentemente, na revista Scientific American, um artigo que procura explicar o vínculo tão forte entre a matemática e a natureza (leia aqui). Ele parte da constatação de que a matemática representa tão bem as leis físicas da natureza que não é possível ao cientista evitar a pergunta: A matemática foi inventada ou descoberta? O autor do artigo acaba por concluir que ambas as opções podem ser verdadeiras e justifica a sua resposta afirmando que o homem pode ter sido induzido por certas características da natureza para criar as ferramentas matemáticas. O artigo termina fazendo uma pergunta mais intrigante ainda: Por que o universo é regido por leis físicas quando ele poderia muito bem não seguir lei alguma?

O livre arbítrio é outro desafio para a ciência. Há muito os cientistas procuram uma explicação para essa nossa intrigante capacidade de decidir de forma autônoma, sem ser impelidos pela inexorabilidade das reações químicas em nosso cérebro (leia mais aqui). O livre arbítrio é um dos aspectos de um fenômeno que ainda não tem uma explicação científica adequada: a manifestação da consciência no ser humano.

A ciência ainda não desvendou esses mistérios, embora teorias tentativas não faltem. Para a questão das leis físicas, o livro de Hawking e Mlodinow – The Grand Design – propõe uma ideia segundo a qual incontáveis universos podem ser originados a partir do nada, por meio de efeitos quânticos e, entre eles, certamente um será regido por leis físicas (assim como poderá conter vida inteligente). Para a questão do livre arbítrio, as tentativas de explicação também passam pela física quântica e uma delas pode ser lida aqui. O fato é que ainda não há uma explicação para esses fenômenos amplamente aceita pela comunidade científica.

Por que volto a discutir essas questões? Simplesmente porque tratam de temas atuais que têm muito a ver com a disputa entre ciência e religião, uma questão mal resolvida. O artigo deste blog, “36 argumentos”, traz uma síntese de um livro em que esses temas são tomados como argumentos para a existência de Deus. Embora seja uma obra de ficção, o assunto pode ser levado a sério porque sua autora é filósofa e certamente expressa no livro as questões às quais se dedica no seu dia-a-dia.

A ciência vai algum dia elucidar essas questões? E se isso acontecer? Será a derrocada das religiões que postulam a existência de um deus criador de tudo? Onde estará o limite (se ele existe) de alcance da ciência? A razão é o pilar da ciência; a fé, da religião: não há nada no meio? Pode haver compatibilidade entre elas?

Seria muito chato se soubéssemos as respostas para essas perguntas. A dúvida é uma motivação tanto para a busca do conhecimento como para o exercício da crença no transcendental.

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Um comentário sobre “O universo, a matemática e o livre arbítrio

  1. Muito pertinente seu resumo. Nos seminários que fazemos, no semestre passado (SEMA, meu site), discutimos a aparente polarização criação descoberta. Neste semestre, teremos outro tema similar: MODELO: CÓPIA OU INSPIRAÇÃO?

    Grato pelo texto que enviou.

    Abraço fraterno

    Nílson

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