Arca de Noé

Está para se encerrar a última missão do último ônibus espacial da NASA – o Atlantis – da série STS (Space Transportation System). O fim desse programa provoca um vácuo no programa espacial que não tem tido muita prioridade por parte dos últimos presidentes americanos. Embora o programa espacial dos EUA já estivesse em desaceleração há muito tempo, o encerramento dos vôos dos ônibus espaciais aumenta a nostalgia das grandes conquistas espaciais do homem, desde o lançamento do Sputnik, em 1957. O ápice foi a chegada do homem à Lua, em 1969, mas, na época de vacas magras, o STS provocava ainda alguma excitação com os passeios dos astronautas em órbita e as fotografias espetaculares tiradas do nosso planeta lá do alto. Algumas missões científicas importantes, da NASA ou de outras agências espaciais, continuaram a ser executadas, mas elas não captaram o interesse do grande público como a corrida à Lua e, em menor grau, as missões dos ônibus espaciais.

Agora a NASA está procurando definir um novo programa que volte a ter prioridade no governo americano e tudo indica que ele deve contemplar uma viagem tripulada ao planeta Marte, onde poderia ser construída uma base para a exploração daquele planeta. Entretanto, um programa dessa natureza pode ser muito caro para uma única nação executar. Será preciso obter a adesão de outros países para ratear os custos da sua execução. O apoio do grande público também será fundamental para que os governos possam colocar em seus orçamentos quantias elevadas para um programa espacial. Será que colocar um homem em Marte sensibilizará o grande público para apoiar as atividades espaciais? A resposta parece ser não, tendo em vista o fim melancólico do programa que levou o homem á Lua. O que fazer, então?

Hoje se constata que há uma preocupação global com as ameaças que o nosso meio-ambiente sofre, seja por parte das forças destemperadas da natureza, seja por parte das estripulias dos seres humanos. A vida em nosso planeta está constantemente ameaçada por esses agentes e não há quem não tenha algum dia pensado na fragilidade da espécie humana diante disso. A probabilidade de ocorrer uma tragédia que torne o nosso planeta inabitável é difícil de ser avaliada, mas não pode ser negligenciada – afinal já ocorreram cinco grandes extinções em massa na história dos seres vivos, antes mesmo de o homem entrar em cena (leia aqui). As consequências de um desastre desse tipo podem ser tão grandes que justificam a preocupação com este assunto.

Os programas espaciais têm contribuído, de alguma forma, para monitorar a ocorrência de acidentes catastróficos, por meio de sistemas que vasculham os céus, a atmosfera, os oceanos, as florestas, as placas tectônicas. Mas eles deveriam fazer mais a esse respeito. Deveriam buscar um meio de preservar a espécie humana em caso de uma catástrofe global, uma forma de saída de emergência para uma amostra da população, que buscaria dar continuidade à espécie em outro ambiente menos inóspito, fora do planeta.

Um programa dessa natureza teria que ser executado necessariamente por uma instituição supranacional, com os custos partilhados entre as nações, e teria mais chance de ter o apoio do público do que outros com objetivos somente científicos e tecnológicos. Estes não seriam abandonados, mas atrelados ao objetivo maior de criar tal sistema de escape. Seria uma questão de criar metas científicas e tecnológicas intermediárias (veículos transportadores, estações orbitais, exploração de corpos celestes) que estivessem vinculadas ao objetivo maior de produzir uma saída de emergência do planeta. Nessa roupagem, o programa poderia ser mais palatável ao grande público. Um programa dessa natureza não poderia ter outro nome senão Arca de Noé.

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Um comentário sobre “Arca de Noé

  1. Penso que o mundo, no que tange ao aspecto econômico-financeiro, passa por grande crise. A Europa – velho continente -, está sentindo o efeito triste da velhice. Os EEUU nunca se viram em uma situação tão caótica nesse aspecto. Tanto assim é que estão à beira de aplicar um grande calote aos seus credores. O que há, na verdade, é falta de dinheiro porque buscar o novo é a maior ambição do homem. Contar com o apoio russo para novas expedições ao espaço já é um grande passo para o entendimento em relação à exploração espacial.

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