Ciência e sociedade

         Já mencionei neste blog uma pesquisa (leia aqui) que mostrou que quase um terço dos russos acredita que o sol gira em torno da terra; 55% deles acham que a radiatividade foi inventada pelo homem e 29% que o homem conviveu com os dinossauros. Não é um resultado para deixar os russos orgulhosos. Eu não sei qual seria o resultado desse teste se aplicado no Brasil, mas acho que não seria melhor. O Brasil ficou em 54º lugar, num total de 65 países, no exame internacional Pisa, que avalia estudantes com 15 anos completos, nas disciplinas de leitura, matemática e ciência. A Rússia ficou em 40º. A julgar pelos resultados do Pisa, os adultos brasileiros não devem ter mais conhecimento de ciência do que os russos, que, também, não estão muito atualizados com ela, conforme mostrou a pesquisa mencionada.

         A rigor, o cidadão comum, seja ele de onde for, não se interessa muito pelo assunto, envolvido que está com as agruras do dia-a-dia. É uma pena. A ciência tem uma relação estreita com a nossa vida e é responsável direta pela qualidade de vida (ou pela falta dela, quando mal empregada) que desfrutamos. As tecnologias que garantem conforto, entretenimento e saúde aos indivíduos são resultados do desenvolvimento da ciência. É difícil imaginar outro modo de vida que não disponha das facilidades que temos hoje – crianças, adultos e idosos – conseguidas graças à tecnologia. Por outro lado, não é difícil constatar que algumas tecnologias têm trazido ameaças para a nossa existência e para a saúde do nosso planeta.

         Por essas razões – positivas e negativas – é que deveríamos dar mais atenção à ciência. Já falei em outro texto (leia aqui) que a ciência é o instrumento que mais influencia a nossa percepção da natureza. Mencionei como a ciência revolucionou a nossa maneira de ver o mundo, desde a época em que achávamos que a terra era plana. Não podemos perder isto de vista no mundo de hoje em que as mudanças estão acontecendo de forma muito rápida. Para usufruir da ciência o cidadão comum não precisa conhecer física quântica, relatividade, genoma ou como se formam as supernovas. Um pouco de aritmética, corpo humano, história, geografia e sistema solar pode ser suficiente para que uma pessoa não fique alienada em seu próprio mundo.

         O gosto pela ciência é um grande estímulo para o desenvolvimento tecnológico de uma nação, mas acho que esse não é o ponto principal. Mais importante é constatar que a ciência possibilita ao homem conhecer melhor a si próprio e o seu habitat e, com isso, permite que ele se conscientize da sua situação peculiar no universo. Num sentido, ela nos mostra como somos frágeis e, em outro, como podemos ser especiais num mundo onde a vida pode ser muito escassa. Não podemos ser displicentes em relação a isto.

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