Mens sana in corpore sano

         O astrofísico Adam Frank, em um artigo no blog 13.7 (leia aqui), declara ser agnóstico em relação à questão da vida após a morte e explica que isto se deve ao fato de ele não acreditar que haja uma explicação para o fenômeno da consciência humana. Não entendo bem essa associação de ideias, pois, para mim, agnosticismo é a posição de quem acha que a existência ou não de Deus não pode ser provada. O que a consciência teria a ver com isso?

         Entretanto, pensando melhor a posição dele fica um pouco mais clara. A consciência humana pode estar no âmago da questão da existência de Deus e, consequentemente, da existência de vida após a morte. O fenômeno da manifestação da consciência no homem parece estar na fronteira entre religião e ciência. Para a religião, a explicação é simples: a consciência é a manifestação da alma que nos liga ao divino; algo que está associado ao corpo apenas transitoriamente, enquanto ele tiver vida. Para a ciência, ela é, ainda, um mistério, mas um mistério que deve ser desvendado com as ferramentas (leis da Física) que a ciência já possui ou, se necessário, com novas ferramentas que venham a ser descobertas no futuro.

         A discussão, conduzida desta maneira, parece se limitar a um quadro simples. Ateus dirão que a explicação para a consciência será encontrada um dia e a alma será desmistificada. Agnósticos – como o astrofísico citado – dirão que o problema da relação mente e corpo não pode ser resolvido pela ciência; e, por último, os devotos dirão que já estão satisfeitos com a presença da alma e nada que a ciência venha a descobrir os demoverá dessa crença. Ou o quadro não é tão simples assim?

         Como é difícil especular sobre este tema! Tudo o que se pode falar sobre a mente humana é que ela é um prodígio da natureza. Um resultado de milhões de anos de mudanças genéticas acarretadas por um processo que cria aleatoriamente as variações e seleciona as mais aptas. Saber se ela incorpora um elemento metafísico ou se ela pode ser explicada como resultado de um processo biológico inteiramente compreensível é tatear na fronteira nebulosa entre fé e razão. O curioso é que essa investigação é proposta e conduzida pela própria mente que é, ao mesmo tempo, o objeto de estudo. Poderia haver um problema mais singular do que este?

         Que as mentes brilhantes de filósofos e cientistas se encarreguem de resolver este conundrum! Enquanto isso, os pobres mortais, com ou sem fé, já têm problemas terrenos em demasia para exercitar as suas. A propósito – como o título deste texto recomenda – uma mente sã deve acompanhar um corpo são. Hoje em dia fazemos apologia da cultura do corpo. Por que não, também, a apologia da cultura da mente?

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2 comentários sobre “Mens sana in corpore sano

  1. Esse assunto é fascinante!´E é fascinante pela incerteza. Por isso, nós Cristãos, rogamos, sempre, pelo aumento da nossa fé. É isso que nos leva a buscar respostas.

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