Desastres naturais

         O terremoto da semana passada no Japão reaviva duas perguntas que são feitas sempre que catástrofes dessa natureza acontecem: 1) Por que Deus permite que elas aconteçam? e 2) Temos condições de sobreviver a elas ou estamos inexoravelmente destinados à extinção?

         A resposta à primeira pergunta tem a ver com crença e fé. Para entender porque Deus permite que tais tragédias aconteçam seria preciso conhecer o seu Plano, mas para aceitar os fatos com resignação basta acreditar que o Plano existe, ainda que ele não esteja ao alcance da nossa compreensão.

         A segunda questão também pode ser analisada do ponto de vista da religião. Nenhuma pessoa crente em Deus acredita na extinção da nossa espécie, de uma forma súbita, sem que antes essa espécie tenha atingido um grau de evolução física e espiritual digno de um plano divino…a menos que sejamos apenas uma dentre milhares de outras civilizações. Como essas outras civilizações não dão qualquer sinal de existência, a nossa crença de que somos especiais se fortalece cada vez mais e, assim, não poderemos simplesmente desaparecer da face da Terra.

         Todavia, sob qualquer outro ponto de vista, a nossa fragilidade diante das forças da natureza induz-nos a pensar que é mais plausível que seremos extintos do que o contrário. O desenvolvimento tecnológico tem sido tão intenso que pode suscitar em alguns a esperança de que um dia poderemos evitar os desastres naturais com as nossas ferramentas mágicas. Assim, terremotos, furacões, glaciações, superaquecimento, colisões com outros corpos celestes e outros cataclismos poderiam ser evitados antes de se manifestar. É possível, mas não parece plausível. Mais sensato seria pensar em ações que amenizem os seus efeitos. O melhor emprego da nossa tecnologia seria em: 1) melhorar a nossa capacidade de antecipar tais tragédias aprofundando o nosso conhecimento sobre os fenômenos que as causam; e 2) construir os dispositivos para enfrentá-las com vistas a minorar os seus danos.

         Nossa espécie pode ser, de fato, especial e, justamente por ser especial, ela deve fazer tudo para se preservar, procurando contrariar as probabilidades que lhe são amplamente desfavoráveis. Talvez aí esteja a grande motivação para o nosso aperfeiçoamento.

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2 comentários sobre “Desastres naturais

  1. Penso que, sob o ponto de vista religioso, poderíamos acreditar que esses e outros desastres acontecem para colocar o homem diante de sua pequenez.
    Penso, também, que desastres naturais são inevitáveis. Podem ser, alguns, previstos, diante da evolução tecnológica, com uma pequena antecedência. Outros, como o tsunami, os poucos minutos que se tem só servem para se iniciar uma corrida maluca para algum lugar mais seguro, sempre pensando em preservar a vida humana. Outros seres viventes são dizimados. Mas não me sai da cabeça que, a qualquer hora, essas ilhas vão desaparecer.

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