Aquecimento global e outras estripulias

         Até quando o nosso planeta será habitável? Quantas pessoas ele pode abrigar? São perguntas que não podem ser respondidas sem que se forneçam dois parâmetros fundamentais: qual é o nível mínimo de qualidade de vida tolerável e qual é a nossa disposição para tomar ações preventivas. Sem qualquer ação preventiva, poderemos ficar aqui ainda por muito tempo desde que nos contentemos em morar numa estufa, matar a fome com qualquer coisa que tenha proteína, andar somente a pé e morrer, em média, aos 20 anos de idade.

         Os limites dos recursos naturais e a qualidade do clima sobre a Terra são preocupações recentes. Elas não estavam em sua agenda quando o homem iniciou os ciclos da agricultura, da extração e da indústria. Os recursos eram abundantes e uma possível influência de nossas atividades sobre o clima era impensável. Um ou outro visionário poderia elevar a voz, mas não alto o suficiente para convencer as massas sobre as possíveis futuras consequências de suas ações. Veio, então, o progresso com toda a força e, hoje, o desfrutamos como nunca. Não podemos, agora, culpar os pioneiros pelos efeitos colaterais que começamos a sentir e que, sabemos, vão se tornar cada vez mais intensos.

         Mas nós não teremos desculpas a dar aos nossos descendentes. Nós sabemos da gravidade da situação. Os recursos minerais, usados como matéria prima, estão se esgotando, impondo sérias restrições ao uso de metais como lítio, índio, cobre, prata e ouro. O mesmo acontece com o carvão mineral e o petróleo. O aquecimento global – resultante da atividade industrial, do tráfego de veículos, do desmatamento, das queimadas e de outras ações humanas – provocará ampla redistribuição das reservas de água e afetará a agricultura aumentando o tempo de maturação da maioria das culturas e tornando vastas áreas impróprias para o cultivo. Um novo mapa das terras agriculturáveis será desenhado, com vantagens para algumas nações e desvantagens para a maioria delas, com consequências imprevisíveis. Por culpa de nossas ações predatórias, os especialistas afirmam que está em curso uma nova extinção em massa das espécies vivas (leia mais aqui). Para uma visão mais abrangente da situação dos recursos naturais leia o artigo da revista Scientific American, intitulado “How much is left” (Quanto resta), edição especial do mês de setembro de 2010.

         A sociedade não irá contentar-se com uma qualidade de vida inferior à que ela já desfruta. Logo, a disposição em tomar atitudes preventivas é mandatória. Eu não me arriscaria a dizer aqui o que fazer e com que prioridade pois não estou capacitado para fazer isso. Mas arrisco-me a apontar três princípios (talvez óbvios) a que as políticas futuras deverão estar sujeitas ao enfrentar esse problema. Em ordem decrescente de importância são eles: 1) todas as nações deverão contribuir; 2) as ações não poderão ser limitantes do desenvolvimento das nações pobres; e 3) as maiores obrigações deverão recair sobre as nações cujas atividades tiveram maior impacto ambiental.

         Sejam quais forem os princípios a ser seguidos, caberá à sociedade usar toda a inteligência que foi responsável pelo progresso obtido até aqui, para estabelecer a estratégia que evite um retrocesso que ameaça ser devastador. A alternativa é procurar um outro lugar para fazer as suas estripulias.

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3 comentários sobre “Aquecimento global e outras estripulias

  1. O aquecimento global é um tema que há pouco tive oportunidade de e debruçar mais detidamente para lançar sobre ele minhas dúvidas…

    Hoje é um consenso, mas será que o mundo está mesmo aquecendo por culpa humana?

    Tive a oportunidade de conversar com um professor brasileiro de biologia de uma universidade inglesa que me afirmou que não há nenhum dado conclusivo de que o mundo está se aquecendo por culpa humana. Disse-me que um vulcão em erupção acarreta mais efeito estufa do que nossa emissão de gás carbonico em décadas.

    Numa rápida busca no google, e para atiçar o debate, encontrei esses 2 links:
    http://super.abril.com.br/revista/239/materia_revista_231035.shtml
    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091124/not_imp471040,0.php

    Se o nosso estilo de vida não tiver tanto impacto no efeito estufa, como se afirma (daqui não retiro a nossa responsabilidade pelas extinções, poluições e etc.), a quem mais prejudicaria o discurso do efeito estufa por causa humana? Acredito que seja aos países correndo atrás da sua fase industrial e desenvolvimentista…

    Deixo ao debate…

    • Caro Venâncio,
      Este é, de fato, um assunto polêmico. Eu também tenho dúvidas, mas como muitos especialistas – entre eles o Carlos Nobre, que é reconhecido internacionalmente – dizem que o aquecimento é culpa nossa, eu acredito. Não sei bem quais são os interesses envolvidos (seria daqueles que desenvolvem novas tecnologias de energia limpa, em detrimento dos países produtores de petróleo?). Enfim, como temos a tendência de criar teorias da conspiração em todos os assuntos, é preciso ir mais a fundo nisto para descobrir a verdade. As suas sugestões enriquecem este debate.
      Abs.
      Oscar

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