Triângulo amoroso

         Em dezembro passado foram divulgados os resultados das análises feitas com os fósseis encontrados na caverna Denisova, na Sibéria (Leia mais aqui e aqui). Surpreendentemente, os resultados indicam que se trata de uma outra espécie de hominídeo que teria convivido com os Neandertais e o Homo sapiens. Os representantes dessa nova espécie foram chamados de Denisovans – em referência à caverna onde os fósseis foram encontrados – e concluiu-se que eles são parentes mais próximos dos Neandertais do que do Homo sapiens. Não tão surpreendente foi a conclusão de que essa espécie também teria se cruzado com o Homo sapiens, assim como o fizeram os Neandertais. Essa miscigenação produziu o homem moderno em cujo genoma prepondera o DNA do Homo sapiens mas que, agora se sabe, tem contribuições do Homem de Neandertal e do Homem de Denisova. Alguém mais vai aparecer para reivindicar paternidade? Não se sabe.

         Se é difícil saber o que aconteceu no passado, mais ainda será saber o que virá no futuro. Sabe-se que o fator geográfico é muito importante para a diversificação das espécies. Exemplares da mesma espécie, quando isolados geograficamente, evoluem de forma independente gerando espécies diferentes. Foi o que aconteceu no passado e poderá se repetir no futuro.

         Com o avanço tecnológico da nossa espécie, não é improvável que o homem deixe a Terra para colonizar outros mundos. Novas descobertas da astronomia (mais detalhes aqui) indicam que o número de planetas em nossa galáxia pode ser extremamente grande, o que aumenta as chances de se encontrar algum em que haja vida ou que pode hospedar a vida vinda de fora. Mesmo que isso não venha a acontecer, o homem poderá criar artificialmente as condições para sobreviver em um ambiente hostil.

         Então, quando a nossa civilização sair da Terra e colonizar outros planetas, estarão criadas as condições de isolamento para que a evolução trabalhe independentemente em várias frentes. Numa escala de tempo adequada, novas espécies de humanos vão se disseminar pela galáxia e, eventualmente, algumas vão se encontrar, como o fizeram os Neandertais, Denisovans e humanos modernos. Outras vão perder contato com as demais em razão da grande dificuldade de comunicação e do alto custo das viagens espaciais.

         Nesse cenário, é bem possível que o primeiro encontro de um humano com um alienígena seja surpreendente para ambas as partes, quando perceberem que são parentes distantes. Nem por isso o cruzamento e o aniquilamento deixarão de ser inevitáveis. Ou não?

Anúncios

5 comentários sobre “Triângulo amoroso

  1. Olá Caco!

    Espero, realmente, que você esteja errado em relação a estas possíveis colonizações espaciais no futuro. A nossa miserável espécie está destruindo rapidamente a criação mais bela já produzida por Deus, ou pelo Universo (como preferir)…..o nosso planeta Terra.
    Não tenho dúvidas que seremos capazes de criar artificialmente condições para sobreviver em ambientes hostis…..mas certamente eles, pelo menos em um primeiro momento, serão (ou já são) aqui.
    Vejo a espécie humana como uma nuvem de gafanhotos, que se multiplica incontrolavelmente, destrói (se alimenta de) todas as reservas existentes, e depois morre, passando muitos anos com uma população pequena….até começar o ciclo novamente…..
    Em que fase deste ciclo estamos? Não sei. Mas os ciclos evolutivos dos seres humanos, em uma escala temporal, são muito menos perceptíveis. Por isso reforço que estamos destruindo RAPIDAMENTE o nosso planeta. Assim como os gafanhotos, não conseguimos enxergar que é o nosso comportamento que pode nos levar à extinção. Ou pior, enxergamos, mas não temos controle sobre o curso dos acontecimentos, pois pode se tratar apenas de mais um ciclo da natureza (como no caso dos gafanhotos).
    O grande desafio para a nossa espécie, ao meu ver, é caber dentro do NOSSO planeta….de maneira perene……e tentar perpetuar um modo de vida diferente, pois este que praticamos atualmente tem data e hora para acabar……só não sabemos quando.
    Sou obrigado a lembrar que a atual política econômica mundial é baseada em crescimento. Crescimento do PIB, crescimento da populção, market share…..etc….
    Até quando podemos crescer? Todo este crescimento ocorre às custas do consumo de recursos naturais……e isso pode ter um limite.
    Vejo o crescimento do PIB como uma medida de velocidade da destruição do planeta. E acho que temos que desacelerar. Parar de crescer, e quem sabe até reduzir o nosso tamanho como espécie, para podermos caber dentro do nosso planeta. Se formos menores teremos mais para todos….mais espaço, mais alimento, mais distância dos inimigos, mais água e ar limpos….etc…..
    Mas com isso será difícil (ou impossível) garantir o crescimento econômico das grandes corporações. Aí está um enorme conflito de interesses. Numa escala de valores, a perpetuação da nossa espécie e o bem estar das gerações futuras (nossos filhos e netos), deveria vir antes do crescimento econômico de empresas ou países.
    A grande questão seria como fazer esta transição suavemente……sem grandes traumas ou riscos para a espécie.
    Por isso, quando o William Bonner anunciar o crescimento do PIB no JN, não fique tão feliz……ou pelo menos se lembre que isso tem um custo…..

    ABÇO,
    TUI

    • Tui, O cenário que descrevo no texto é de muito longo prazo, dezenas ou centenas de milhares de anos, talvez mais. Até lá temos que sobreviver no nosso planeta e para isso temos que resolver o conflito que você bem menciona no seu comentário. Se tivermos sucesso e conseguirmos manter o planeta equilibrado, não acredito que o ser humano vá se contentar em viver aqui para sempre. Algumas das nossas características falarão mais alto: espírito explorador, atração por um lugar novo, vontade de formar uma nova sociedade livre de certos vizinhos intoleráveis (melhor viver só do que mal acompanhado!) e por aí vai. Nosso destino será, então, sair pelo mundo. Abs. Caco

  2. Lendo a questão posta e o comentário acima, não posso deixar de indicar um filme de ficção que assisti recentemente, porque aborda ambos os pontos de vista.
    Num futuro não tão distante assim (sec XXII, ou XXIII, se nao me engano), a Terra está assolada com a superpopulação e falta tudo: água, comida, moradia e etc. A guerra é iminente e a necessidade de se buscar um novo lugar inafastável.
    Parte, então, uma mega nave espacial da Terra, no estilo arca de noe, rumo a um planeta que descobriram com vida, para então coloniza-lo e não deixar perecer a raça humana (já que a Terra tornou-se inabitável, por esgotamento).
    O filme também aborda a questão da evolução de novas espécies a partir do isolamento geográfico, mas não vou explicar mais, porque essa é a espinha dorsal do filme.
    Não é dos melhores filmes, mas deixa viva a questão, nessas duas perspectivas.
    O filme é Pandorum. A quem quiser ler a crítica:
    http://www.omelete.com.br/cinema/critica-pandorum/

    • Venancio, o meu medo é justamente este…….pegarmos um busão espacial e irmos destruir o lindo planeta alheio……

      Sinceramente, acho que prefiro ver a raça humana perecer aqui mesmo, pagando pelos próprios erros cometidos, que sairmos por aí destruindo outros mundos.

      A não ser que uma enorme mutação nos genes que codificam o cérebro humano acabe com a ganância, intolerância, inveja, preconceito e muitas outras características danosas que possuimos.

      As vezes acho que seria melhor termos um cérebro menos desenvolvido, como os animais ditos “irracionais”. Acho que haveria mais hermonia no planeta e menos destruição. Cada um pegando para si apenas o que é necessário para aquele dia e a Mãe Natureza controlando tudo com as leis de Darwin……

      Vou ver se encontro o filme…..

      Abço,
      TUI

  3. Tenho a impressão de que desse triângulo amoroso eu devo ter tido algum ancestral alienígena , que se mostra gene dominante no quesito intolerância governamental.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s