Zodíaco, Plutão e Hubble

         Sempre gostei de astronomia mas, também, sempre fui muito preguiçoso para praticá-la. Para compensar, faço parte do Clube de Astronomia de São Paulo – CASP – para desfrutar das discussões, das informações e das imagens que os participantes do Clube me proporcionam. Ainda não participei de eventos do Clube por causa dessa minha deplorável condição citada acima. Uma vergonha!

         Por outro lado, estou sempre atento às notícias dessa área e vou mencionar três delas que foram manchetes nos últimos dias. A primeira foi matéria de capa do último número da revista VEJA. Um astrônomo americano afirma que os mapas astrológicos que determinam os signos estão errados porque não levam em conta as mudanças na forma como enxergamos o céu, desde a época em que a astrologia começou a ser praticada. A segunda, também na mesma edição de VEJA, diz que está em discussão se Plutão deve ser rebaixado ou não para a categoria de asteróide (ele já havia sido rebaixado para planeta anão). A terceira foi divulgada na Folha.com, no dia 26 de janeiro, e pode ser lida aqui ou em artigo da revista Nature e circulou entre os participantes do CASP. Trata-se da descoberta, por meio do telescópio Hubble, da galáxia mais antiga já observada, nascida por volta de (somente) 480 milhões de anos após o Big-Bang.

         As atividades profissionais em astronomia exigem equipamentos caros e uma dedicação extrema das muitas pessoas que estão envolvidas nas observações e no tratamento e análise dos dados. É de se perguntar, portanto, como as atividades mencionadas acima, que estão tão distantes de resolver os nossos problemas mais prementes, podem ser justificadas?

         As respostas protocolares estão na ponta da língua. O astrônomo que critica os mapas astrológicos quer demonstrar que a astrologia é uma crendice sem base científica, que ilude grande parte da humanidade. A discussão sobre Plutão é consequência da nossa necessidade de categorizar o mundo à nossa volta, classificando e relacionando tudo o que nele está contido. A descoberta de galáxias antigas é fruto da observação contínua da vastidão do cosmo à procura de respostas para os mistérios da criação do universo. Crença, ordem, conhecimento e curiosidade são, portanto, os elementos motivadores, senão de toda a astronomia, pelo menos das atividades mencionadas no início.

         Não acho, contudo, que esses elementos sejam suficientes para explicar porque olhamos para o céu. Ouso dizer que nem acho que eles são os mais importantes. Olhamos para o céu, acima de tudo, por puro prazer, por divertimento, por encantamento. Por curiosidade também, mas não aquela própria do cientista que anseia entender o desconhecido, mas aquela da criança que quer tocar, sentir e experimentar aquilo que é novidade, como quando toca a água ou vê um animal pela primeira vez. Assim deve se sentir o astrônomo diante do cosmo.

         Se a astrologia vai continuar a ter seguidores, se Plutão é mesmo um asteróide ou se outras galáxias ainda mais antigas serão descobertas são questões que puderam ser levantadas como resultado das pesquisas mencionadas. Todavia, por mais importantes que elas sejam, nunca deixarão de ser um subproduto de um trabalho que primeiramente deu grande prazer aos seus realizadores. Trabalho abençoado, que poderá, no final das contas, permitir ao homem conhecer a origem e o destino do seu universo.

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