Vida artificial

         A ciência ainda não encontrou uma explicação para a criação da vida na Terra. Qual foi o processo que transformou a matéria inanimada – que era tudo o que existia em nosso planeta quando ele se formou há 4 bilhões de anos – em seres vivos, que se alimentam, se reproduzem e, alguns deles, que sentem e até têm consciência do mundo à sua volta? É uma pergunta ainda sem resposta. Alguns acreditam que o primeiro ser vivo (talvez uma bactéria) tenha vindo de outro planeta a bordo de um asteróide que se chocou com a Terra. Há, também, os que acham que a vida foi trazida para cá por uma civilização alienígena. Tenha a vida começado aqui, ou vindo de fora, a questão permanece: como ela surgiu da matéria inanimada? Ou, ainda, numa forma mais intrigante: poderá o homem criar a vida em laboratório?

         Duas experiências recentes, na área da Biologia, reavivam essa antiga discussão. A primeira foi divulgada em maio de 2010 por uma equipe liderada pelo cientista J. Craig Venter. A equipe anunciou ter produzido a primeira “célula sintética” usando o computador para copiar o genoma completo de uma bactéria. Esse genoma, inserido numa célula cujo próprio genoma havia sido removido, permitiu que ela se mantivesse viva e se reproduzisse. Alguns cientistas, no entanto, colocam restrições ao trabalho de Venter, afirmando que “ele não criou vida, só a imitou”, provavelmente numa alusão à expressão “célula sintética” (leia mais aqui).

         A segunda pesquisa foi publicada em 4 de janeiro passado, por uma equipe liderada pelo cientista Michael Hecht. A equipe substituiu, com sucesso, alguns genes da bactéria E. coli por outros sintéticos que codificam a produção de novas proteínas não naturais. Dito de uma forma simples, obteve-se um organismo cuja sobrevivência baseia-se na produção de proteínas que não estão presentes em nenhum outro ser vivo. Segundo o próprio Hecht, o experimento mostra que a natureza utilizou, nos seres vivos, apenas uma pequena amostra da vasta gama de proteínas que poderiam ser utilizadas. Perguntado se os resultados de sua pesquisa deixam a ciência mais próxima de criar vida em laboratório, Hecht respondeu: “Se você imaginar que uma caixa de ferramentas é necessária para manter a vida, o que nós fizemos foi substituir apenas algumas chaves de fenda. A questão relativa a genomas artificiais é: Poderíamos manter a vida com uma caixa de ferramentas inteiramente nova? E estamos longe disso.” (Leia mais aqui e aqui)

         O homem pode estar ainda muito longe de criar vida em laboratório, mas essas pesquisas mostram que as condições para que ela floresça não são tão restritivas como se pensava. Acrescente-se aqui a pesquisa que mostrou que uma bactéria substituiu o fósforo pelo arsênio, em seu DNA, acabando com a exclusividade dos seis elementos (carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio, fósforo e enxofre) no DNA de todos os seres vivos (V. O alienígena e o vírus da gripe). Isso tudo fortalece a crença de que se consiga reproduzir, um dia, em laboratório, um ambiente propício à criação da vida. Se ela se concretizar, será algo bom ou ruim? As implicações são tantas que é difícil saber. No entanto, muitos concordarão que será bom ou ruim na medida em que a nossa consciência evoluir, ou não, no mesmo ritmo que a nossa tecnologia.

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2 comentários sobre “Vida artificial

  1. Caco,
    A criação de vida artificial certamente terá implicações positivas ilimitadas para a medicina. Porém as aplicações bélicas (armas biológicas) também serão infinitas…Portanto, também espero que a consciência humana evolua no mesmo ritmo da tecnologia…
    Abraço,
    Caio

  2. É um tema bem fascinante!

    Tanto a panspermia como a abiogênese como teorias científicas que explicam a origem da vida, tão-somente por existirem e defenderem coisas tão díspares e plausíveis, só provam que estamos longe de descobrir o que aconteceu!

    Se estamos conseguindo fazer isso em laboratório, tudo o que eu torço é para que pelo menos saibamos o que estamos fazendo e que respeitemos a raridade que é a vida neste universo indiferente à nossa existência…

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