Duro golpe para o racismo

         Esta história vai ser escrita sobre um campo minado. Qualquer palavra mal empregada, qualquer descuido pode ser fatal. Falar sobre racismo é como caminhar em um campo minado, mesmo que a conversa seja sobre antepassados muito remotos. Os antepassados a que me refiro são os Neandertais. Isso mesmo, eles são nossos ancestrais ou, pelo menos, de uma grande parte da população moderna.

         Até o dia 7 de maio passado, estávamos certos de que éramos todos descendentes de puros Homo sapiens, que há dezenas de milhares de anos conviveram com os Neandertais – espécie intelectualmente inferior – e os dominaram provocando a sua extinção. Até então não havia evidências de que as espécies teriam se cruzado. Todavia, no dia 7 de maio um grupo de pesquisadores, liderado por Svant Pääbo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, de Leipzig, divulgou na revista Science os resultados da comparação do genoma do homem de Neandertal com o dos humanos modernos (leia mais aqui). Para surpresa dos cientistas, há traços do genoma dos Neandertais no genoma dos homens modernos, o que prova que houve cruzamento das duas espécies. Ironicamente, isso aconteceu com os homens modernos que evoluíram fora da África (Europa e Ásia). A mesma afinidade não foi verificada com os homens modernos de origem africana.

         Novos estudos estão sendo feitos para explicar como, quando e onde essa miscigenação ocorreu, mas a descoberta já é espetacular pelo seu aspecto surpreendente e pelo impacto que pode ter nas teorias que especulam sobre a região de origem do Homo sapiens. Todavia é em outro ponto que quero focalizar a atenção: se apenas uma parte da sociedade moderna for descendente de Neandertais, poderá isto vir a ser um novo estímulo ao racismo? Afinal, estarão convivendo indivíduos com linhagem Homo sapiens pura com outros com descendência Neandertal. Não acredito nesta hipótese, pois o parentesco é tão antigo que não provocará mais do que simples curiosidade entre as pessoas. De fato isto já está acontecendo com a divulgação de resultados de testes que constataram traços de DNA Neandertal no genoma de pessoas famosas, como é o caso de Ozzy Osbourne (leia mais aqui).

         Acredito, por outro lado, num aspecto positivo dessa descoberta. Ela é a constatação de uma miscigenação tão radical que fará com que as nossas conhecidas diferenças de raças se tornem insignificantes. Se isto realmente acontecer, será um duro golpe para o racismo que não terá mais um modelo de raça no qual se apoiar. E deveria ter sido sempre assim, já que o verdadeiro valor do indivíduo está no que ele é e não no que carregavam os seus ancestrais.

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2 comentários sobre “Duro golpe para o racismo

  1. Gostei do artigo sobre o racismo…..e encaminhei o Granjota para o meu pai, pois acho que ela não acompanha o blog….espero que a festa saia do teclado……
    Vc tinha alguma dúvida da miscigenação neandertal/homo sapiens considerando a natureza humana no que se refere ao sexo?
    Tudo bem, uma coisa é achar e outra é provar…….mas que o Ozzy tem cara de neandertal tem…..é a cara do pai……
    Abço,
    TUI

  2. Caco, não sei se vc notou a leve conotação racista no meu comentário anterior em relação ao Ozzy…….isso responde uma de suas perguntas formuladas no texto……rs….
    Abço,
    TUI

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