Universo paralelo revisitado

         A Folha divulgou em seu site, no dia 20 deste mês, uma notícia com o título “Evidências sobre universo paralelo podem surgir em breve, dizem cientistas do CERN”. A fonte é um boletim do CERN – Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, que administra o LHC – Grande Colisor de Hádrons. Para obter mais informações a respeito do assunto, procurei o tal boletim e o localizei no endereço que está no final deste texto. Como o assunto é tema recorrente neste blog, faço um resumo do que diz o boletim.

         Teorias modernas afirmam que o nosso universo pode ter mais do que as quatro dimensões que podemos perceber (três dimensões espaciais e uma do tempo). As dimensões extras podem ocultar novas formas de matéria e energia, assim como partículas há muito tempo procuradas pelos cientistas, como o gráviton (responsável pela força de gravitação) e os constituintes da matéria escura. Cientistas acreditam que há dois tipos de dimensões extras: um em que a luz se propaga, chamado de “dimensão eletromagnética”, e outro no qual a luz não pode se propagar, mas somente os grávitons, chamado de “dimensão gravitacional”. Nós não as percebemos porque elas têm dimensões (físicas) muito pequenas e, segundo a física, quanto menor for a dimensão, maior deverá ser a energia necessária para explorá-la.

         Este é o ponto central da história: o LHC, por meio da colisão de partículas a altas velocidades, pode produzir a quantidade de energia necessária para fazer com que partículas adentrem as dimensões extras do universo. Mas, e daí? Como essas partículas vão nos contar o que acontece por lá? Infelizmente vamos ficar sem essas notícias, mas os pesquisadores do CERN, afirmam que se uma partícula adentrar uma outra dimensão há maneiras de detectar isso. Se a dimensão for do tipo gravitacional, o gráviton que a adentrar causará uma perda de energia em nosso mundo que poderá ser medida por detectores apropriados. Por outro lado, se a dimensão for do tipo eletromagnético, as partículas que a adentrarem deixarão um sinal claro nos detectores confirmando esse evento. O boletim encerra dizendo que “…antes de reservarmos uma viagem para o mais próximo universo paralelo é melhor aguardarmos por mais alguns anos até que as análises dos dados nos forneçam resultados conclusivos”.

         Para nós, leigos, isso tudo ainda soa como ficção científica. Todavia, muitos cientistas sérios não pensam assim e, quem sabe, suas teorias venham a se confirmar no futuro. Neste caso, é uma pena que a nossa geração muito provavelmente não venha a desfrutar das aplicações práticas dessa aventura científica.

Endereço do boletim do CERN: http://user.web.cern.ch/user/Bulletin/38-39-E-web.pdf

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